Serena Lua
Vogo sem rumo entre a espuma dos dias e o luar azul dos sonhos. Escrevo-me numa neblina de palavras, rasgando as noites brancas e as claras madrugadas...
the morning stares - going home
Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
Poesia

Fecho-me no coração de mais uma noite
e é de mármore-rosa, o túmulo que ouço
na noite insone feita para olhar o mundo
de um terraço suspenso da memória
à beira de um céu de alazões de chumbo.
Suavemente percorro o caminho das tuas mãos
e encontro estrelas bordadas a silêncio
e são apenas rosas que nasceram dos teus passos.
O murmúrio da cidade traz-me vozes extintas,
como nas outras noites de todos os prodígios
quando nos cobrimos de flores do rio
e se quebram no chão todas as raízes
e nos abeiramos da morte para rir dos seus
pássaros de olhar resoluto e frio…
Resumo-me a espantar na dor o pó dos meus dias
e a ouvir aquele marulhar da memória
que escorre nas horas de cascatas desmedidas,
quando a curva do tempo me despenha as mesmas águas,
o mesmo olhar que anda perdido.
Então sei que o teu peito é de erva macia
e que os teus olhos contêm a imensidão
das montanhas e dos penhascos desfeitos de erosão.
Invoco-te assim brisa de Verão como carícia,
como verbo, como liga de metais ou fusão de pedrarias,
na incandescência de um desejo que escorre dos teus olhos
para os meus dedos indecisos, em forma de asa livre.
Sei-te na Lua peregrina que assoma ao céu do teu olhar,
quando falas e sorris para lá do vento.
E o silêncio é de seda,
como o toque dos meus dedos nos momentos de pedra,
circulares e míticos em espiral de desejo,
ou arrepio, coisa breve, mais fresca que espraiar de maresia…
Liberto os pássaros da memória e adormeço-te no meu peito
como pergaminho desfeito pelo tempo ou pelo suor acre do corpo.
E sonho o teu olhar imensamente louco…

10 de Agosto
de 2003
(imagem e texto roubados ali às heterónimas do lado)

Assinado por: aziluth • 10:18 PM •

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