Estou sentada na beira do rio
Tentando recordar o teu nome
Cintilando nas águas um cardume
Lavrando contra a corrente
Plantando nas margens novas larvas
Perdido o leito esquecido o rumo
Um cativeiro que prende o sonho
Escrevendo eu pelo meu punho
A relatividade do mundo
Quando a vida é um prelúdio
Do nada que é o único absoluto
Meço a dimensão das águas
Que cobrem os seixos mudos
E a memória é um lago de palavras
Onde me afogo e me afundo
Sozinha nesta margem do sonho
Sem ti definho como tarde de Outono
E em ti a minha voz atormentada
Encontra abismos em vez de estradas
Meu amor, a noite é cega e grita
A tarde ardeu em chama aflita
E o dia amanhece na cor desta incerteza
Que me apaga na boca palavras indefesas
Quando antes havia paradigmas profundos
Corre agora um insalubre sabor a nada
Apenas este solitário céptico sintagma
Onde se repetem apenas as palavras
Meu amor, o teu nome é um arbusto
E eu não sei se desperto ou se sucumbo
Na corrente adversa em que me busco
(...)
(tomado de empréstimo a uma heterónima
aí do lado)
Bom dia, jovem bardo! Então embranqueceu-te o olhar, a boca e o beijo? Ora, heresias!
Hummmm! Deixa ver se entendo: a traição de quem trai, traindo quem julga amar, ou amando quem julga trair? Ai, ai, os poetas heréticos!
Beijinhos, gostei muitoooooooo!
"Um cativeiro que prende o sonho
Escrevendo eu pelo meu punho
A relatividade do mundo
Quando a vida é um prelúdio
Do nada que é o único absoluto”
very very good!
amo tuas mãos....
"já sobre a fronte vã se me acinzenta
o cabelo do jovem que perdi
meus olhos brilham menos
já não tem jus a beijos minha boca
se ainda me amas, por amor não ames
trairias-me comigo...”
R.dos Reis