
- Passei mesmo agora pelo nosso “Central Park” e descobri uma grande azáfama com a montagem de equipamentos de som, para mais um concerto no parque.
Na verdade nem sei qual o nome do grupo que vai actuar, mas certamente (e faço votos para que assim seja) irá ser um êxito.
O tempo convida-nos a um passeio nocturno e é aí que entra o nosso parque, que está em pulgas (pelo menos até hoje) para receber visitas.
Logo à noite, não vai ser excepção, vamos todos ouvir e aplaudir um bom som no Parque, acompanhado de movimento, cor e alegria.
Viva os Concertos no Parque.
@ Observador
- Através do sitio da Marinha Grande, chegou-me um e-mail de alguém que gostaria de acrescentar algo mais sobre as origens do nome de Picassinos. É com prazer que transcrevo na íntegra o respectivo e-mail:
“ De : Raul PicaSinos
Meu Caro
Já há muito, nas minhas “viagens” pela Net, encontrei um “site” alusivo à povoação de Picassinos e a sua origem.
Desde então tenho tido vontade de comentar o que está inscrito, sendo que me parece, não haver só duas versões da sua origem mas........ sim três.
“Em tempos, para saber a origem do meu apelido “PICASINOS” (que resulta de um erro do funcionário publico que me registou há 60 anos, na medida em que o apelido do meu pai era, com reza o BI “PICASSINOS"), fui à Biblioteca da Câmara Municipal de Lisboa, junto ao Campo Pequeno e, verifiquei que a origem do nome data do século XVI, sendo um nome de uma profissão ligada aos mesmos (Sinos). Razão pela qual no Mosteiro da Batalha, existia à data, uma ala para formação profissional (Artes e Ofícios), onde era ministrada a arte de “picar os sinos”.
Ora bem, como bom jornalista que é, venho por este meio dar-lhe a esta “dica “. E dentro das suas possibilidades convidá-lo a “explorar” melhor a noticia. Se for caso.... acrescentar ao texto do “site de Picassinos” a que chamo..... a terceira versão.
O meu falecido pai era natural de Pataias
Aceite meu Caro os meus melhores cumprimentos
Raul PicaSinos ”
Deixo pois em aberto mais uma versão, sobre a origem do nome de Picassinos.
@ marginal

Tem risco (ao meio), passeio (á esquerda), passeio (á direita), e até tem uma passadeira (entre ambos os lados). Curiosamente luzes apenas (á esquerda).
Tem igualmente o hoje (á esquerda) e o ontem (á direita).
No entanto dá-me a ideia que o hoje vive abusos adquiridos no ontem e o ontem vive o drama de uma dura realidade do hoje.
@ marginal
Obrigado pelo convite. Sou um andante pelas marginais da vida. Espero que a minha contribuição possa de algum modo enriquecer este interessante Blog. Sobretudo debruçando-me por ambas as margens da minha cidade. Contem comigo.
@ marginal
Quando era puto frequentavam-me os bolsos e a mala da escola, com assiduidade os livros (?) do Condor Popular e do Falcão.
Eram um espectáculo, desde western, guerra, ficção, romance tudo valia para alimentar a fome da base da educação que ajudou a formar a pessoa airosa que sou hoje. Hoje meu caro exactu, aqui estou a responder não ao teu desafio, mas apenas a responder às tuas perguntas.
Colocados estes considerandos aqui vai:
1.) Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
- Se bem entendo o significado do Fahrenheit 451, e sendo um livro, então queria ser o DR DOS 5.0 um livro actualmente completamente obsoleto, que mais não faz do que, quando olho a sua lombada na prateleira, recordar o progresso da informática, apenas por respeito o mantenho.
- O quê? Este não vale? - Ok, tudo bem. Então pode ser: - “Até à Eternidade” de James Jones (porque sei que é eterno)
2.) Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?
- Não! Claro que não. Tirando o Texas Kid, o Major Alvega, o Sandor, o Davy Crockett, ah! e do Mandrake
3.) Qual foi o último livro que compraste?
- Sangue e Ouro - Anne Rice (para oferecer)
- Massoterapia Clínica de James H. Clay e de David M. Pounds (para oferecer)
- Quando o Silêncio tem Voz de Esmeralda Ribeiro (este para mim)
4.) Qual foi o último livro que leste?
- Destino Judeu de Myron S. Kaufmann
5.) Que livros estás a ler?
- A Nudez de tua Filha de Myron S. Kaufmann
- Frank Zappa - Antologia Poética
- Gravidade Zero de José Fernandes
6.) Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
- Bom, primeiro, esclareço que para além dos livros teria que levar muitas outras coisas mais. Posto este considerando as minhas escolhas vão para:
- As 100 mais Famosas Receitas do Mundo de Roland Goock
- Guia Prático de Remédios e Tratamentos Naturais das Selecções do Reader’s Digest
- Grande Dúvida de José Fernando (deste meu caro jamais me separarei dele, tenho necessidade de tempos a tempos de ir beber dele mais do que as palavras que lá estão, mas sim os princípios que elas escondem)
- Viagens no Espaço-Tempo de Jorge Dias de Deus
- E ainda a bíblia da poesia: A compilação da obra de Al Berto
7.) A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
- 1º ao Fernando Pina. Sim eu sei que o blog dele está parado, é apenas para o incentivar, para o animar e ao mesmo tempo para lhe dar um grande abraço.
- 2º ao Emptypark. Com o intuito de lhe meter o bichinho do blogs....
- 3º ao Jorge. Talvez o próximo membro da comunidade do mgrande.
E este foi, meu caro exactu, a minha humilde contribuição para o teu sempre bem-vindo convite (desafio).
Um grande abraço não só para ti, mas também para todos os envolvidos por esta cadeia (corrente).
@ simulador
- Bom dia! Pode-me dizer, por favor qual o nome desta Rua?
Crispim, olhou o indivíduo de alto a baixo franziu o sobrolho e, respondeu dando um tom de sobriedade às palavras, esquecendo-se de retribuir o formal cumprimento do bom dia.
- Esta é, meu caro, a Rua Central.
- Ah! Sim. Bom então, pode-me indicar onde fica a Felicidade?
Crispim fez um compasso de espera. - Este gajo, primeiro não sabe o nome da nossa Rua, agora quer saber onde fica a Felicidade, sempre há gentinha mais ignorante. - Dialogou com os seus botões, antes de responder a tão ignorante individuo, encheu o peito de ar e lá vai:
- Sim senhor. Meu amigo o senhor está na Rua certa para encontrar a Felicidade, não tem nada que enganar, aliás esta Rua dá para todas as direcções onde quisermos ir, no seu caso é fácil, basta seguir por este passeio, logo depois do 2º cruzamento, meia dúzia de metros, eis a Felicidade, precisamente no nº. 18. Aconselho-o a ir a pé, pois irá desfrutar de todo o bom ambiente da nossa Rua.
- Muito obrigado senhor, no nº. 18, não é verdade?
- Sim no nº. 18.
- Mais uma vez obrigado e bom dia. - Agradeceu curvando ligeiramente a cabeça.
Crispim ficou a observar o desconhecido a afastar-se em direcção á Felicidade. Este apressou o passo á medida que se aproximava, sequioso de chegar e mais uns metros, eis que surge o nº. 18. Entrou sem hesitar.
- O que deseja?
- Bom dia. Estou à procura da Felicidade?
Sem olhar, a mulher aparentando uma vida difícil, respondeu mecanicamente com palavras que soaram a usadas vezes sem conta:
- Suba, no quarto nº. 18.
- Obrigado, obrigado.
Já não subiu os dois lances de escadas com tanta ligeireza como o fez para chegar até aqui. Á medida que subia ia alimentando os olhos com a penumbra do ambiente, distinguindo a cor marrom pisado da alcatifa e ia saboreando o cheiro de anos de uso sem uma limpeza cuidada.
Limitou-se a empurrar a porta do nº. 18 e a entrar. Olhou em redor e o quarto mergulhado numa penumbra chamava a atenção uma farta cama, nas paredes apenas a existência de um único quadro. Aproximou-se do mesmo, apenas algumas palavras escritas à mão eram cercadas por uma moldura de cor vermelha. Apontou o nariz para o quadro e pôde ler o que parecia ser o extracto de um poema:
“ Felicidade?! Para mim só há momentos, instantes, ou doses dela, oásis de alegres sentimentos num imenso deserto.... “. Aguçou mais a vista e em letras miudinhas leu o nome do autor “ Noel Ferreira “. Virou-se sentou-se na borda da cama e durante uns minutos mergulhou nas palavras que tinha acabado de ler.
Um ligeiro ruído vindo da porta despertou-lhe a atenção e fez-lhe levantar a cabeça.
No umbral da porta emergia uma escultural mulher, devidamente ornamentada com exíguas roupas, cuja função era mais a de deixar mostrar do que a de tapar.
A voz saiu trémula, insegura, na verdade foi mais um sussurrar.
- Procuro a Felicidade.
- Sim, sou eu. - Retorquiu num tom impessoal a recém chegada, avançando lentamente em direcção á cama, fazendo a porta bater atrás de si. E sem balbuciar qualquer palavra empurrou ligeiramente os ombros do homem no intuito de o fazer deitar, o qual como que em transe obedeceu.
A custo, a voz saiu-lhe melosa, enquanto que o seu olhar adormeceu no generoso busto da nossa anfitriã.
- Sabe eu… bom eu… há muito tempo atrás perdi-me, e, no entanto pensava que andava no caminho certo, mas na verdade é que eram falsos os abraços que me davam, e as palavras que me dirigiam falavam de proximidade afastando-me. Rodeavam-me mentiras com máscaras de verdade, e os que construíram aquilo que eu julgava ser o amor, a amizade, a confiança fizeram com que eu naufragasse no imenso mar da descrença, da desilusão, da desconfiança, e me afastasse de quem me exigia a capacidade de proteger, de aconselhar, de amar....
- Fez uma pausa e o silêncio no quarto nº. 18, tinha o peso de todas as recordações amargas do mundo, nem reparou que o seu olhar, embora continuasse colado ao busto convidativo da nossa imperturbável senhora era invadido por algumas lágrimas.
Sacudiu ligeiramente a cabeça, fechou os olhos e retomou tentando aplicar a mesma voz amena, no entanto, saíam-lhe as palavras a custo, parecia que por cada palavra proferida uma facada era desferida e sofrida na sua consciência:
- Sabe! Eu só queria ser feliz. E então fui construindo uma felicidade á força, ignorando o significado do verdadeiro amor e perdi, sim perdi, não importa o dinheiro, os bens materiais, não, não, isso não conta, perdi os alicerces, a base, perdi valores como a família e agora que argumentos, que força, que alma para recuperar tudo de novo? Daí esta minha busca estéril, esta minha demanda pela Felicidade.
Aqui estou eu. Disseram-me que aqui estava a Felicidade, e eu faço tudo para a recuperar, talvez… talvez mesmo o importante seja ter que voltar a ser eu, sem a sua ajuda, apenas sozinho, eu possa reunir a capacidade de reaprender a abrigar dentro de mim a existência do amor suficiente para poder abrir os meus braços e apertar aqueles que deixei para trás e até talvez nem seja preciso dizer grandes palavras, não seja preciso dizer nada, apenas apertá-los, apertá-los e sacudir esta saudade que invade o vazio do meu caminho. Sim o que eu tenho, aliás o que eu quero, é dizer-te: Meu amor tu ainda és a personagem principal da minha cena, o aconchego que veste os meus sentimentos, que alimenta os meus sonhos, o resultado único de todos os cálculos. Ainda és Abril. Ao teu lado, quero voltar a ser feliz.
- Os seus olhos abriram-se num ímpeto, mas quanto ao seu olhar, esse, ainda não estava no presente, ainda deambulava por imagens que queria transformar em certeza. Quando a realidade o chamou á atenção, virou a cara na procura do busto majestoso e deparou-se apenas com o vazio do quarto. Ele, era a única personagem daquele obscuro habitáculo. Levantou-se seguro dos seus passos e saiu sem bater com a porta....
- Olá! Olá, então encontrou a Felicidade? - Questionou Crispim ao cruzar-se de novo com o desconhecido, em plena Rua Central. - Mal educado nem me ouviu, sempre há cada gentinha.
@ Observador
Crispim contornou a esquina e deparou-se com a grandiosidade da Rua Central, que preenchia toda a sua visão.
- Tás a ver. Esta é a minha Rua.
- Sim e então o que tem ela assim tão de especial? - Perguntou-lhe Luisão. Na verdade já um pouco farto das constantes alegações a uma simples rua.
- Meu caro. Este é o maravilhoso mundo das comunicações e aqui existe um País chamado Internet. Todos os dias, numa pequena cidade chamada Blogolândia, no quadrante MGrande desse mesmo País, a sua Rua Central abre-se ao público e ganha vida, começando lentamente a agitar-se. Pois é precisamente em qualquer momento que pode começar a ser frequentada, inspirando-se sons, respirando-se palavras e soltando-se imagens.
- Mas, Oh Crispim, mas....
- Repara! As pessoas que procuram a Rua Central enchem-se de boas influências e percorrem-na gostosa e calmamente, gozando o prazer das suas palavras, dos seus sons, saboreando o seu clima ameno e vivendo o seu típico ambiente.
- Espera lá, oh meu, mas do que é que tu estás para aí a falar… – Coçava a cabeça Luisão, estacando o passo e olhando o amigo sem perceber patavina, do que este estava a dizer.
- Bom! Trata-se pois de uma rua aberta a todo o tráfico e por isso mesmo não será de estranhar ver-se por lá passeando os seus sons e as suas influências pessoas tão disparas como Chris Rea
, Leonard Cohen
, Morphine
, Stomu Yamashta
, CocoRosie
, Pink Floyd
, Tindersticks
e até Lisa Germano
.
Muitos outros gostariam por lá de se fazer notar, outros ainda, já prometeram marcar presença e compartilhar o seu ambiente com todos os que fazem desta rua a sua Rua Central, mas tudo a seu tempo, tudo a seu tempo.
- Sim mas quem são esses?
- Sabias que não existe um tempo para percorrer a Rua Central? Durante o percurso gera-se um habitat muito íntimo onde a cumplicidade dos transeuntes é manifestamente unânime e sem darem por isso chegam ao fim da rua com vontade de inverter a marcha.
- Mas meu!!! Onde está a música?
- Onde tu quiseres que ela esteja. Pois é precisamente isso que torna esta Rua tão sui-generis, no entanto nada melhor do que tu próprio certificares-te, percorrendo-a, porque ela cumpre rigorosamente o objectivo com que foi construída: permitir o cruzamento de comunicações.
- Sim Crispim, entendi Crispim e Obrigado Crispim por me esclareceres sobre o que é na verdade a tua Rua.
@ Observador
Ainda antes de transpor a entrada da tasquinha do Ti Manel a D. Aurora deu conta da nova iluminação do estabelecimento e não perdeu tempo a rematar, ao núcleo de frequentadores habituais da tasca, enquanto descia os dois degraus que davam acesso ao interior do mesmo:
- Já não era sem tempo, parecia noite aqui dentro. Até que enfim temos iluminação nova, graças a Deus…
- Graças a Deus o caraças, graças aqui ao Ti Manel. - Replicou, com a voz de três penalties, o Zé da Adega, farto dos frequentes apelos, por tudo e por nada, a Deus feitas pela D. Aurora.
- Não seja mal educado, graças a Deus sim, olhe que todos os dias vou à igreja e rezo para que pessoas como você, não sejam tão azedas.
- Resmungou a D. Aurora já na posse da sua receita habitual.
- Cá por minha causa não perca tempo, pois eu dispenso as rezas, tenho mais que fazer do que rezar ainda se…
- Também eu, meu caro Zé! - Cortou-lhe a palavra o Aníbal dos garrafões.
- Também eu penso como você sobre a inutilidade das chamadas ao Senhor lá de cima. No entanto há momentos que eu reservo só para mim, para pensar nessas ditas inutilidades.
E então penso não só em coisas fúteis como também penso nos ausentes: na minha irmã Matilde longe lá no estrangeiro, nos que já partiram, nas melhoras do meu compadre e na sua recuperação de uma operação que fez ao coração. Desejo que todos tenham saúde, que acabem as guerras e a fome, que haja trabalho para todos, que os meus filhos sejam felizes.
Todos estes pensamentos podem ser inúteis, mas são para mim como bálsamos que actuam no meu cérebro fazendo-me acreditar que posso ser muito melhor do que sou.
É uma paragem que eu aproveito, para me encontrar, e principalmente para limar algumas arestas que se vão formando no meu relacionamento com os que me rodeiam.
É uma chamada para ser mais tolerante, para estar mais disponível não só com a família, mas também com os amigos, com os colegas de trabalho e com aqueles que não conheço…
- O Aníbal dos garrafões, fez uma pausa, como que querendo penetrar mais profundamente no seu íntimo. O ambiente era de um silêncio total, mergulhados que estavam os presentes, no impacto das palavras ouvidas e acima de tudo no suspense das que ainda iriam ser proferidas. Aníbal retomou com a mesma suavidade de voz, colocando cá fora palavras aveludadas, que saíam embrulhadas em imagens que cada um dos ouvintes, se apropriava e transformava como se fosses suas.
- Acreditem se quiserem, mas sempre que mergulho nestes pensamentos, sinto-me muito melhor, mais leve, mais aberto, com mais coragem e mais tranquilidade para enfrentar o meu dia.
Não é obrigatório, meus amigos, ir-se a um sítio específico, qualquer local é bom, basta sermos nós próprios e não negarmos a verdade aos nossos pensamentos. Assim, sozinhos ou não, o importante é estarmos de bem connosco próprios e tomarmos consciência dos nossos actos sempre no intuito de que podemos sempre ser melhores.
- Não houve reacções ás palavras do Aníbal dos garrafões. O Ti Manel limitou-se a colocar-lhe um pratinho de tremoços ao lado da imperial, quanto à D. Aurora, virou-se para a claridade que vinha da rua e…
- Maldito tempo este, ora chove ora…
- E saiu à socapa, resmungando com os seus botões. Cá fora a azáfama da nossa Rua esperava uma quiçá D. Aurora mais afável…
@ Observador
O título que dá nome a este ajuntamento de palavras, não é bem aquilo que por ventura se possa pensar. Eu sei, que a nossa querida Rua sendo Central, tem vários cruzamentos, dá vida à Praça Central e até culmina numa rotunda, mas não é nada disso do que eu estou a falar, do que eu falo é de um outro tipo de cruzamento, mais difícil de pôr por escrito, mas que vou tentar explicar com a simplicidade que me caracteriza.
Bom! Foi hoje, mesmo antes daquela chuva miudinha, que caiu na hora do meu não habitual café matinal, que eu me cruzei contigo. Sim contigo, e não me venhas dizer que nunca me viste, ou que ignoras completamente a minha existência, que eu até sei que é verdade, mas também não é menos verdade o facto de eu hoje me ter cruzado contigo, pois não?
Seja para a posteridade, ou não, este nosso cruzamento de movimentos, veio marcar uma nova era no meu relacionamento com o mundo. Posso afirmar, hoje, que me sinto outro, estou tentado até a ponderar a hipótese, de num futuro quiçá breve, em um outro possível cruzamento de movimentos, eu me alente a ir mais além. Sonho até em balbuciar um bom dia, ou então, mas isso seria demais, até talvez esboçar um olá. E se conseguisse saber o teu nome? - Que bom seria, meu Deus.
A postura de pessoa integra e respeitável, aconselha-me a não ir muito mais além nos pensamentos qualificados de inexequíveis. Há que haver moderação e contenção nos impulsos, que me perpetuam os segundos, em avançar mais, provavelmente para terrenos pantanosos, e uma vez lá dificilmente me iria conseguir desemaranhar e chegar são e salvo à nossa Rua.
No entanto, bom, no entanto como é bom ser feliz, e a felicidade aqui existe vivamente encorajada e abraçada a uma nova esperança de poder ter a possibilidade de vir de novo a cruzar-me contigo.
@ Observador
Todas as ruas têm um menino.
Eu prefiro antes dizer que todos os meninos têm uma rua, a sua rua.
Sim eu sei que cada um tem a rua onde se deita, enquanto uns têm a rua que escolhem, já outros palmilham pela rua da amargura.
Nem todos podem ter a rua que sonham, há ruas sinuosas, nas quais se é fácil perder. Por muita sinalização que haja, muito pouca indica a direcção mais segura.
- Desculpe, para onde vai esta rua?
- Esta rua, meu menino, vai até ao fim.
E o fim na maioria dos percursos começa por ser rua a mais para menino a menos e acaba em muita rua para tão pouco menino.
A minha rua tinha um buraco, e enquanto outros viam no buraco um obstáculo, eu chapinhava cheio de felicidade na água que o habitava… há muito que taparam esse buraco, foi já sem ele que cresci.
@ 100Abrigo
- Procuro sentidos de outras ruas, onde não me perca sem ti,
tectos e outros agasalhos para me proteger do frio que tenho sem ti,
pois a vida tem só a roupa que vou vestindo, talvez apenas aparências
exteriores que vou fingindo ter, mas é o que tenho, é o que tenho. Tenho?
- Procuro que o meu sentimento repouse, e que a tua imagem me adormeça,
até me doer o prazer de te ter na minha memória, habitando aqui dentro destas quatro paredes a quem eu nunca chamarei sala.
- Procuro, procuro até… até procurar de novo. Sem nunca encontrar.
@ Simulador
Hoje, confesso que me sabia bem percorrer-te, e a única coisa, juro, que te devolvia era a forma. Não sabes tu a força, o poder, que tem a forma. Com as minhas mãos formo o teu corpo construindo curvas cegas de paixão....
Tu depois, sedutoramente, sais da tua forma e formas a ansiedade dos sentidos em actos consumados....
Eu formo sobre ti uma opinião de ter direito a não querer ter opinião nenhuma neste momento, porque é a forma que nos condiciona, que nos molda, que nos controla… a forma de estar, a forma de ser, a forma de sentir, a forma de....
Mas, se tu quiseres tens a forma de uma mão, para poderes agarrar os melhores momentos, ou para dizeres adeus aos momentos que partem, ou ainda para largares palavras que te vão cultivando esperanças, e para isso basta-te regá-las..... e verás que esses teus anseios se transformam em realidade....
Devolvo-te a comunicação, talvez não tão contactável, mas enfim, é a minha.....
© simulador
Percorria a nossa Rua, sonambuleando por entre anónimos quando vi o meu reflexo num vidro de uma montra.
Tão perto de me encontrar e sem esperar por mais, deslumbrei-me. – Afinal aquele ali era eu? - E eu a procurar-me por todo o lado sem pensar que alguma vez me encontraria.
O.k. e daí? E depois? – Até parece coisa do outro mundo, quem é que agora se procura a si próprio?
Palmilhei lugares bizarros, descalço de raízes, para me encontrar, e agora…
Não. Não podia ser eu, eu que apenas acumulava desorientadas direcções, imobilizados gestos e unigénitos diálogos, que castrados de pontuações se instalaram, habitando o meu comportamento.
Acabei sempre por me procurar sentado na minha profunda incapacidade de semear a realidade, com apenas vómitos de dúvidas a saíram daquela imagem que camufladamente me olhava, e simuladamente, vestia diariamente a minha sombra.
Optei mais uma vez pelo facilitismo e adoptei um já coçado uso. Limitei-me a palitar os comentários alheios, como prevenção contra a cárie da sociedade, esquecendo que era da minha própria que se tratava.
Segui Rua abaixo, com o olhar ausente em parte incerta, como que nenhuma montra existisse.
Nunca ninguém me cumprimentou, nem eu nunca me encontrei.
© simulador
A rua hoje acordou pálida, banhada por toques de indiferença e atravessada por passos multidireccionais procurando destinos acolhedores rodeados aqui e ali por uma monotonia de hábitos religiosamente cumpridos de há muitos Outonos atrás.
A D. Perpétua atravessa a rua às 8:00 para comprar o pão fresquinho para o Sr. Aníbal tomar o pequeno-almoço antes de se atirar ao trabalho.
O cachimbo do Sr. Aristides acompanha-o sempre ás 10h da matina até ao quiosque da D. Ana para comprar as notícias fresquinhas sobre o mesmo de sempre.
- Mudam-lhes os títulos e as páginas, quanto ás notícias são sempre as mesmas…
- Costuma resmungar aos amigos.
A verdade é que ele não passa sem as ler.
Mas, hoje a nossa rua estava enigmaticamente tingida de sentimentos, a começar pela linda Joana que entre os momentos monótonos da (des)espera de clientes iniciava a leitura de um novo livro, desta feita de poesia.
- Olha Cilinha a beleza destas quadras… - E com um tom de voz mais pomposo leu a primeira quadra do livro á sua colega de balcão:
“ Sentimentos, desejava nunca os deixar partirem.
Mas, prendê-los? Como que de criminosos se tratassem,
Ou invadirem-se para fora de mim. Assim, mesmo sem saírem.
É como que, seres estranhos não controlados me habitassem.
Deixei a chuva cair miudinha nos meus sentimentos… “
- E preparava-se para continuar quando foi interrompida bruscamente pelo som do “espanta espíritos” que assinalou a entrada de uma cliente. Fechou o livro, respirou fundo e regressou à realidade.
Cá fora o sol, que finalmente resolveu marcar presença, obrigava um velho álamo negro a desmultiplicar-se na sua tarefa de distribuir a sombra por todos aqueles que momentaneamente ali se refugiavam. Como aliás foi o caso da D. Aurora. Não há dia em que a nossa rua a não veja sair da tasquinha do Ti Manuel depois do seu tratamento habitual para as maleitas da vida. Amainou os passos e respingou com os seus botões:
- Mas, que raio de calor é este agora, em Setembro? Era só o que me faltava.
Uma coisa é certa a nossa rua acolhendo no seu habitat todos de igual modo, faz com que nunca se diga que este é um sítio ermo de ideias e despido de sentimentos
© Observador
Hoje num dos muitos estabelecimentos comerciais que se situam na nossa Rua, alguém solicitava quase encarecidamente ajuda para a compra de um presente.
- O que quer que eu compre, tenho de escrever as palavras “com amor”. Sabe é muito mais do que uma prenda é um sentimento. É na verdade o amor que se reflecte no conjunto das palavras e da oferta. – Lá ia dizendo, à paciente empregada, o apaixonado cliente.
- Sim, mas meu caro senhor, primeiro e antes de colocarmos as palavras “com amor” tem que se decidir sobre o que comprar.
E lá ia mostrando o vasto leque de objectos pretendentes a serem um presente amoroso.
- Não, esse não e depois como é que escreveríamos “com amor”? - Não ela não gosta dessa cor. Talvez antes este aqui, mas, não, é precisamente igual a um que já lhe comprei o mês passado.
E indecisão em indecisão o cliente lá ia rejeitando as propostas que iam saindo não da cartola, mas das prateleiras para cima do balcão.
- Sabe, eu próprio escreverei as palavras “com amor” irá dar-lhe um cunho mais pessoal, não acha? – Ia com um olhar ausente, dizendo o nosso Dom Juan.
- Sim, certamente que sim, mas o senhor tem que se decidir sobre o que gostaria de oferecer. Talvez esta peça é uma peça trabalha à mão e feita em cristal e com toda a certeza que ficaria bem em qualquer sala. - Retorquiu a empregada em mais uma tentativa para resolver o impasse.
- De cristal? Ah não, ela tem tudo o que é de cristal, não ia ligar nenhuma e muito menos às minhas palavras “com amor”.
Foi a gota de água que faltava para fazer transbordar o oceano. Calmamente a empregada levantou ligeiramente o queixo, virou-se frontalmente para o apaixonado cliente, e com uma voz suave e pausada sugeriu-lhe:
- Meu senhor sei agora que para uma paixão como a sua muito dificilmente encontrará algo nesta loja que possa oferecer juntamente com as palavras “com amor”, porque não aceita este conselho que não sendo “com amor” será na verdade gratuito:
Pega num cheque e com a sua letra preenche-o com uma importância dez vezes superior à que pretendia gastar aqui na loja, passe-o em nome da sua amada, e entre as linhas do cruzamento do cheque coloque as palavras “com amor” vai ver que esse sim, será o presente ideal.
© Observador
Perguntava-me agora mesmo se valeria a pena descalço de ideias sair para a rua. Tão difícil é a construção de uma resposta certa e com fundamentos. Vou pois talvez limitar-me a não me calçar e hoje, apenas hoje vou sair pela janela, vou para a rua.
Ah! este ar que circula por esta rua imensa cheia de movimentos, sons e indiferenças. É bom andar incógnito por entre pontos de interrogação, e eu neste momento longe de ser um ponto final, sou um til esvoaçando, ondulando por entre meros sinais de trânsito que vão enchendo a MINHA rua, a minha rua.
Para a rua de mão em riste pronto para os cumprimentos, os acenos, os afagos, os adeus. para a rua que este tempo, não é tempo de estar cercado por cores mal agarradas em paredes que servem de habitação. Eu moro na rua e é na rua que controlo a confusão que me serve de escudo, de protecção. Pronto eu quero ir para a rua. Pode ser?
© 100Abrigo
Esta é na verdade uma notícia não particular, mas sim acima de tudo uma noticia Nacional. A Rua Central reabriu depois de algum tempo em obras de melhoramentos, eis que aqui está ela.
Pronta para tornar a ser habitada por todos, ou não seja esta uma rua aberta a todas as direcções.
Por agora o convite aqui está.
Bem vindo.
© Simulador
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