Quarta-feira, 01 Julho, 2009

NÃO SE ME PERGUNTE…

Registo fotográfico da autoria de LittlePieces

Não se me pergunte o como existo,
Se ainda continuo, debalde, o encontro
Do me sou. Interrogo-me. Grito.
Debruço-me no rebordo de todos
Os riscos dos abismos; no cimo de todos
De todos os penhascos ásperos
Do desespero; firo-me em todos
Os silvados linguísticos, como se a sintaxe
Me desse uma espécie, ainda que fictícia,
De um conceito de vida. Insisto. Louca.
Mas a lucidez me atraiçoa, em cada
Esquina. Em cada encruzilhada, em cada
Espera do haver, pelo menos, uma vez,
Um sopro de luz, nos olhos cegos e secos.
Sigo, sem rumo, os becos, sem retorno,
Aprisionada por fios falsos, a cada passo,
Que não dou, simulando um percurso,
Desnudo do medo dos espectros postados
No portão de todas as saídas, de todas
As entradas, para o não sei onde, porque ignoro
A senha ou, talvez, a tenha esquecido
Ou nunca me terá sido dada. Mas quem
Ma recusou? Ninguém. Assumo o não me sou.
Não me permito culpar quem quer que seja.
Cegou-se-me o olhar, num quando, desconheço.
Resto-me, nestes versos, desconexos e sinceros.
Dou por finda a trama que teço, e faço, gritando
Para o dentro, o silêncio cinzento de um cigarro.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 01/07 às 12:01 AM
Categoria • Poesia • (0) Comentários

Página 1 de 1 páginas