NÃO! NÃO INSISTAM!
Trabalho fotográfico de rattus-Olhares.com
Não! Não insistam!
Ausentei-me. Hibernei-me.
Não insistam! Já vos disse
Que não estou! Que me não sou!
Não sei se abri as veias do
Pulso desistente, mas vejo sangue,
Gotejando nas lajes lisas e frias,
E nas vestes que não uso,
Nesta agonizante tarde de cinzas.
Só sei que o vermelho brilha,
Livre e voluptuoso,
Como se se tratasse de um rito,
Com oficiante ausente, mas
Cúmplice dos gestos lúcidos
E nulos, que me vou fazendo .
Não! Não insistam! Merde! Não estou.
Já vos disse que não estou!
Não! Não preciso de nada! De nada vosso!
Não me tragam teses
E dogmas e tábuas de Moisés! Merde!
Nada me consola, nada me nega o NADA!
Não me agridam os braços do não creio
Em nada. Em nada! Basta!
Dispenso-vos do segundo raso
E seco e cínico de silêncio,
Sobre o enfim me durmo.
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003
Publicado por Violeta Teixeira em 30/08 às 01:48 PM
Categoria • Poesia •
(0) Comentários •