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«VALORIZA-SE MAIS O TER QUE O SER»

Valoriza-se mais o Ter que o Ser

«A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social em busca da acumulação de resultados económicos conduz a uma busca generalizada do ter e do parecer, de forma que todo o «ter» efectivo perde o seu prestígio imediato e a sua função última. Assim, toda a realidade individual tornou-se social e directamente dependente do poderio social obtido.

(...) O espectáculo é o herdeiro de toda a fraqueza do projecto filosófico ocidental, que foi uma compreensão da actividade dominada pelas categorias do ver; assim como se baseia no incessante alargamento da racionalidade técnica precisa, proveniente deste pensamento. Ele não realiza a filosofia, ele filosofa a realidade. É a vida concreta de todos que se degradou em universo especulativo.
A filosofia, enquanto poder do pensamento separado, e pensamento do poder separado, nunca pode por si própria superar a teologia. O espectáculo é a reconstrução material da ilusão religiosa. A técnica espectacular não dissipou as nuvens religiosas onde os homens tinham colocado os seus próprios poderes desligados de si: ela ligou-os somente a uma base terrestre. Assim, é a mais terrestre das vidas que se torna opaca e irrespirável. Ela já não reenvia para o céu, mas alberga em si a sua recusa absoluta, o seu falaccioso paraíso. O espectáculo é a realização técnica do exílio dos poderes humanos num além; a cisão acabada no interior do homem.»

Guy Debord, in ‘A Sociedade do Espectáculo’

«Guy Debord nasceu em 28 de dezembro de 1931 em Paris e faleceu em 30 de novembro de 1994. Foi um dos pensadores da Internacional Situacionista e da Letrismo Internacional e seus textos foram a base das manifestações do Maio de 68.
A Sociedade do Espetáculo é o trabalho mais conhecido de Guy Debord. Em termos gerais, as teorias de Debord atribuem a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas quando da privada, a forças econômicas que dominaram a Europa após a modernização decorrente do final da segunda grande guerra.
Ele rejeita, como duas faces da mesma problemática, o capitalismo de mercado do ocidente quanto o capitalismo de estado do bloco socialista. Segundo Debord, o sentimento de alienação pode ser atribuído a forças do “espetáculo”, que podem ser traduzidas como a natureza sedutora do capitalismo. Em sua análise, Debord desenvolve as noções de “reificação” e “fetichismo das mercadorias”, introduzidas por Karl Marx em sua obra “O Capital”, comprovando as raízes históricas, econômicas e psicológicas da “mídia”.
O ponto central de suas teorias é que a alienação é mais do que uma descrição de emoções ou um aspecto psicológico individual. É a conseqüência da forma mercantil de organização social que atinge o seu clímax no atual capitalismo. É uma constituição moderna da luta de classes, desta forma, o espetáculo é uma forma mercantil de dominação burguesa sobre o proletariado, as duas classes revolucionárias.
Debord mostra algumas estratégias que buscam resistir à alienação através da supressão ou derivação da realidade espetacular, destruindo os valores burgueses.»

In WIKIPÉDIA (versão brasileira)

Publicado por Violeta Teixeira em 18/05 às 02:37 AM
Categoria • Reflexões

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