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UM CORO DE CIGARRAS



Um coro de cigarras
Ancora-se,
Todas as tardes,
Num retalho de verde
Sobrante, por detrás
Do muro de um beco
Obsoleto, nesta urbe
De betão
E de trânsito feroz.
Como me soa inquieto,
Este coro!
Que desperdício
De hinos, neste inferno
De emparedados!
Enganaram-se, por certo,
As cigarras, na ancoragem.
Se buscassem outro cais?
Estas notas desagregam-me
A linguagem das artérias.
Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES, 1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, 2000, co-edição Magno Edições / Câmara Municipal de Leiria, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 27/02 às 03:16 AM
Categoria • Poesia •
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