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SUCUMBI NOS BRAÇOS GÉLIDOS DO SILÊNCIO

Para o meu amigo «bloguista» Ricardo
Entrei, furtiva, no clima cálido da tua atmosfera,
E não te deste conta da minha presença esfíngica.
Coloquei numa mesa duas velas, lagrimando gotas
Grossas de um vermelho vulcânico. Cego, a tua
Objectiva não aprisionou o peso flagrante do efémero.
Sentei-me, com «charme», mas não me ofereceste
Um copo de absinto verdíssimo, que me matasse a
Sede do interdito. Triste, desfraldei as asas da fantasia
E, com um sopro ténue, apaguei a luz do tecto e as
Brasas rubras da lareira; desactivei o alarme e nenhum
Sinal de alerta soou. Ouvi tão-somente o fluir inexorável
Da água na clepsidra e o roçar de uma brisa cetinosa
E lasciva nas pernas cruzadas na cadeira do tempo.
Fora do tempo. Cerrei as pálpebras e, num ápice, adormeci,
Mergulhada nas águas oníricas. Ainda me recordo
De ter acordado, gritando para dentro do fundo
Do meu poço, sem fundo, que me fizesses e me
Desses, na boca seca, uma infusão de beladona. Em vão.
Sucumbi, porém, os braços de um silêncio gélido.
Ressuscitei ao terceiro dia, sem que me tivesses visto,
Mas não me reconheci. No chão jaziam, esparsos, cacos
Nítidos multicolores. Inepta, tentei encaixá-los.
Sobravam sempre, todavia, mais cacos. Sempre
Mais cacos. Esquivos. Amorfos. Desisti da vanidade do
Esforço, e, em verdade, te digo que não sei saber,
Neste agora, onde estou, nem quem me sou. Quem me
Molda um ser uno e múltiplo? Quem me traz
De volta ao cais de embarque, onde, debalde, uma
Eu-outra-mesma me espera, ou finge fazê-lo, sentada
Na esteira do nada vale a pena que se faça,
Neste universo mudo e autista e absurdo.
Por que segura, com dedos hirtos, o amarelado
Mapa geográfico de um Dédalo? Como sabê-lo?
Violeta Teixeira ( Inédito – ORGIAS DE ESQUIMENTO)
Publicado por Violeta Teixeira em 27/05 às 11:46 PM
Categoria • Poesia •
Como agradecer-te, Ricardo?
A aranha, que me sou, balança-se na ponta de um fio, sobre águas revoltas… e… prefere o prazer… ao voltar ao casulo, para tecer…
Contemplo-te… Navegas… e não me vês… ou, como o saber, finges não me ver...não vá eu…
te aprisionar na teia da sedução…
Comentado por Violeta Teixeira em 31/05 às 02:45 AM
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belas as tuas palavras
e a elas me vergo em vénia
e a ti agradeço
e deixo:
solidão
habito na solidão
entre paredes silenciosas.
as horas passam…
choro o tempo perdido.
ideias apodrecidas abundam
no meu coração.
habito na escuridão
entre algo posto de parte.
habito na recordação
entre lembranças paradas.
habito no nada
entre recordações findadas.
© biquinha *in (pensamentos (I) 1980 – 1983)
... }
Comentado por © biquinha em 30/05 às 11:01 PM