§ Comentários:
SOU UMA LOUCA
Courbet
Levem-me daqui! Levem-me
Para um serviço de urgências!
Entreguem-me a um psiquiatra
Tão lúcido e tão louco, como quem
Vos grita que a levem daqui.
Merde! Não suporto a vossa suposta
Normalidade. Hipócrita! A vossa lágrima
Insípida, a vossa postura seríssima!
Cansei das vossas fúrias mansas, feitas
De indulgência conformada e confortante.
Basta! Basta! Sou, socialmente, uma louca
Perversíssima. Levem-me daqui! Levem-me,
Sem demoras complacentes! Internem-me numa
Clínica, de cujas janelas não veja o vosso Sol sensato!
Exijo um Sol de sangue, um Sol que me prive do frio
Gélido do vosso comportamento de rebanho dócil!
Sim! Já vos disse! Basta! Merde! Não me peçam
Que não grite! Que não provoque escândalos!
Levem-me daqui! Urgentemente! Não me toquem!
Não sou quem suporte a domesticação do seu
Pretenso mal. Grito! E grito! Grito até que me não
Apeteça! Grito o ódio à vossa imbecil urbanidade!
Antes, me faça ser um caranguejo, com bom senso,
Alisando areais enlouquecidos pela fúria do vento.
In Violeta Teixeira, LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000
Publicado por Violeta Teixeira em 28/06 às 12:01 AM
Categoria • Poesia •
Seguinte: A LOUCURA
Anterior: PRAZER EM SER ESQUECIDO
de génio e de louco todos temos um pouco.
mas esse poema quase se adapta ao meu ser, afinal eu mais do que ninguém preciso urgentemente de um bom psiquiatra.
Comentado por alberto correia em 30/06 às 05:12 PM