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«QUEREMOS HOMENS COMPLETOS OU MEROS CIDADÃOS?»

«Queremos Homens Completos ou Meros Cidadãos ?»
«A educação actual e as actuais conveniências sociais premeiam o cidadão e imolam o homem. Nas condições modernas, os seres humanos vêm a ser identificados com as suas capacidades socialmente valiosas. A existência do resto da personalidade ou é ignorada ou, se admitida, é admitida somente para ser deplorada, reprimida ou, se a repressão falhar, sub-repticiamente rebuscada. Sobre todas as tendências humanas que não conduzem à boa cidadania, a moralidade e a tradição social pronunciam uma sentença de banimento. Três quartas partes do Homem são proscritas. O proscrito vive revoltado e comete vinganças estranhas. Quando os homens são criados para serem cidadãos e nada mais, tornam-se, primeiro, em homens imperfeitos e depois em homens indesejáveis.
A insistência nas qualidades socialmente valiosas da personalidade, com exclusão de todas as outras, derrota finalmente os seus próprios fins. O actual desassossego, descontentamento e incerteza de propósitos testemunham a veracidade disto. Tentámos fazer homens bons cidadãos de estados industriais altamente organizados: só conseguimos produzir uma colheita de especialistas, cujo descontentamento em não serem autorizados a ser homens completos faz deles cidadãos extremamente maus. Há toda a razão para supor que o mundo se tornará ainda mais completamente tecnicizado, ainda mais complicadamente arregimentado do que é presentemente; que graus cada vez mais elevados de especialização serão requeridos dos homens e mulheres individuais. O problema de reconciliar as reivindicações do homem e do cidadão tornar-se-á cada vez mais agudo. A solução desse problema será uma das principais tarefas da educação futura. Se irá ter êxito, e até mesmo se o êxito é possível, somente o evento poderá decidir.»

Aldous Huxley, in ‘Sobre a Democracia e Outros Estudos’

Aldous Leonard Huxley (Godalming, Surrey, 26 de Julho de 1894 — Los Angeles, 22 de Novembro de 1963) foi um escritor inglês.
Biografia
Sua família incluía os mais distintos membros da classe dominante inglesa; uma vasta elite intelectual. O pai de Aldous era filho de Thomas Henry Huxley, um grande biólogo que ajudou no desenvolvimento da teoria da evolução sendo um ferrenho defensor da teoria de Charles Darwin. Sua mãe era irmã da romancista Humphrey Ward; a sobrinha de Matthew Arnold, o poeta; e a neta de Thomas Arnold, um famoso educador e diretor da Rugby School que acabou se tornando um personagem no romance “Tom Brown’s Schooldays”.
Estudou na aristocrática escola de Eton, que foi obrigado a abandonar aos dezesseis anos, devido a uma doença nos olhos que quase o cegou impedindo-o de cursar medicina. Mais tarde, ele recuperou visão suficiente para se formar com honra pela Universidade de Oxford, mas não suficiente para servir o exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Em Oxford, engajou-se com a literatura pela primeira vez, conhecendo Lytton Strachey e Bertrand Russell, também se tornou um amigo íntimo de D. H. Lawrence.
Em 1921, lançou “Crome Yellow”, o primeiro de uma série de romances e novelas que combinam diálogos emocionantes, e um aparente ceticismo, com profundas considerações morais.
Viveu a maior parte dos anos 20 na Itália fascista de Mussolini que inspirou parte dos sistemas autoritários retratados em suas obras.
A obra-prima de Huxley, “Brave New World” (Admirável Mundo Novo), foi escrita durante quatro meses no ano de 1931. Os temas nela abordados remontam grande parte de suas preocupações ideológicas como a liberdade individual em detrimento ao autoritarismo do Estado.
No ano de 1937 Aldous Huxley mudou-se para Los Angeles, e em 1938, no auge da sua carreira, chegou a Hollywood, como um de seus mais bem remunerados roteiristas. Nessa fase, escreveu romances como “Também o cisne morre” (1939), “O Tempo pode parar” (1944), “O macaco e a essência” (1948).
O cinema para Huxley foi uma aventura tão fascinante quanto suas descobertas e experiências com a mescalina, narradas em “As portas da percepção”, de 1954. Dois anos depois, viúvo, casou-se novamente e publicou “Entre o céu e o inferno”.
Huxley viajou ainda pela América Central e em 1958 visitou o Brasil, tendo conhecido os índios do Xingu e as favelas do Rio de Janeiro.
Em 1959, foi agraciado pela Academia Americana de Artes e Letras com um prêmio por seus romances. Tal premiação era concedida a cada cinco anos e havia sido entregue anteriormente a Ernest Hemingway, Thomas Mann e Theodore Dreiser.
Huxley permaneceu quase cego por toda a sua vida. Sua esposa, Maria Huxley, faleceu em 1955. Um ano mais tarde, Huxley casou-se com Laura Archera. Ele morreu em 22 de Novembro de 1963 na sua pequena casa de Los Angeles.
Huxley produziu um total de 47 livros ao longo de sua vida. O crítico britânico Anthony Burgess uma vez afirmou que Huxley fora o pioneiro do “romance cerebral”. No entanto, outras correntes de críticos classificaram Huxley como um ensaísta, ao invés de romancista, pois suas obras eram conduzidas mais apoiadas sobre suas idéias do que o desenrolar de personagens ou contextos de história
Bibliografia:
Esta é a cronologia de alguns de seus trabalhos mais conhecidos:
• 1920 - Limbo, contos de estréia
• 1921 - Crome Yellow, romance
• 1923 - Antic Hay (Ronda Grotesca), romance
• 1926 - Two or Three Graces (Duas ou Três Graças), contos
• 1928 - Point Counter Point (Contraponto), romance
• 1932 - Brave New World (Admirável Mundo Novo) , romance
• 1936 – Eyeless in Gaza (Sem Olhos Em Gaza) , romance
• 1939 – After Many Summers (Também o Cisne Morre) , romance
• 1941 – Grey Eminence (Eminência Parda), bibliografia romanceada
• 1943 – The Art of Seeing, ensaios
• 1945 - Time Must Have a Stop (O Tempo Deve Parar) , romance
• 1946 – The Perennia Philosophy, ensaios
• 1949 – Ape and Essence (O Macaco e a Essência), romance
• 1950 – The Doors of Perception / Heaven and Hell (As Portas da Perceção / Céu e Inferno), ensaios
• 1952 – The Devils of Loudun (Os Demônios de Loudun)
• 1959 – Brave New World Revisited (Regresso ao Admirável Mundo Novo), ensaios- sua obra-prima
• 1962 – Island (A Ilha), romance
• 1978 – The Human Situation (A Situação Humana), ensaios

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Publicado por Violeta Teixeira em 31/01 às 03:36 AM
Categoria • Reflexões

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