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POESIA LUSO-ÁRABE

Palácio de Alhambra

(...)Mas não foram apenas Cordova, Granada ou Sevihha oS faróis do Alandalus. A mais modesta escala. é certo, Beja, Coim bra, Évora, Faro, Lisboa, Mértola, Santarém e Loulé, por exemplo, conheceram enorme animaçào cultural e viveram, como veremos, flguras do major valor espiritual. Não é o próprio Ibn Bâjja (Avem pace) de família talvez oriunda de Beja? E Ibn as-Sîd de Silves? E ai Uryâni de Loulé?
Mas, se o Islâo briihou cm todos os dom no Alandalus, fo na poesia que o fez com mais fulgor. E Silves, por certo,em aigum momento dos Taifas, foi a capital encantada dos efémeros reinos ébrios de versos Com o seu lendário Palácio dos Balcôes, debruçado sobre o rio Arade, foi povoada pelo estro dos iemenitas neste recanto esquecido do mundo. Andavam na boca de um povo laborioso e improvisador poemas em rabe puríssirno, inspiraçâo que nem a dura faina do campo secava
É extremamente comovenre surpreendermos, através dos escritores coevos, o quotidiano dessa genre que viveu, amou e morreu nessas terras que foram as suas e sâo agora as nossas.
Como diria fiynbee, mesmo «antes de arrancada e destruída, acultura ibérica muçufmana foi explorada em benefício do seu vitorioso antagonista»
Ter sido realmente extirpada?»

(...)O mar, apesar de os Àrabes se virem a tornar bons navegadores, facto de que a marinharia portuguesa muito aproveitaré, seré sempre considerado como a mais adversa força elementar.
Dai’ que Al-Maqqarî cite estes versos antigos:

O Mar é inimigo implacável e cruel
Nào esperes misericórdia cm suas mãos.
Sabendo-se que ele água e nós argila
Que admira nos mortifiquem seus ataques?

Compreende-se que, no cenário das areias, «a única arte que os nómadas podem desenvolver é de facto, a língua — que se toma assim o que Heidegger disse: a morada do ser. A frase do filósofo alemão é tão verdadeira que o verso poético érabe chama-se hayt (literalmente casa) e palavra diz-se rnufrad ( fard, ou seja, indivíduo)»

Referenciado como Abû Amir ibn MáliK ibn Sîdmir, por al- Maqquir no seu Nafh at.Tíb, diz-se ter sido um notável escritor, natural de Silves, na época das terceiras Taifas. O poema que se dá versão fala da sua dor por não poder voltar à terra natal, presumivelmente já conquistada pelos cristãos.

Agrada-te a brisa do alvorecer
E o fulgor do relâmpago
Quando brilha e apaga?
E também as avezinhas no ramo arrulhando
E as nuvens prenhes de água gotejando?
tudo isto são temas para o amor,
mas qual o namorado que não chora?
eu,
não fossem brisa, relâmpago,
pombas que arrulham, e nuvens,
não saberia amar.
tudo me recorda Silves,
mas, ai de mim, como está distante!
tão longe
que não poderei mesmo regressar!

IBN SÍDMIR, in Adalberto Alves, «O MEU CORAÇÃO É ÁRABE», ASSÍRIO & ALVIM

Publicado por Violeta Teixeira em 10/04 às 01:20 PM
Categoria • Citações

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