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OS PONTEIROS DO ESPELHO
PARA O RICARDO
Não. Não me torturam
Os engenhos que moem
Os grãos que nos somos.
Torturam-me, medonhamente,
Os ponteiros do espelho,
Girando velozes, o que não
Vejo, mas sei serem asas
De abutres, a voltejar sobre
Cadáveres, que nunca
Souberam nada acerca do tempo,
Nem se miraram, alguma vez,
Nas águas dos ribeiros.
Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 07/11 às 01:39 AM
Categoria • Poesia •
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