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NEGRAS, AS PEDRAS

Rolf Horne


Negras, as pedras!
Arranham-me a garganta do tempo; ferem-me
As margens das veias; estilhaçam-me
Os ponteiros do pêndulo do sangue, e,
Logo, pingam, paulativas,
Coágulos roxos, boiando, nas águas glaucas,
Do poço sem fundo das que me sou,
Desconhecidas, emudecidas,
Incapazes de dar um passo
No solo. Literal e metaforicamente.
Se bem que pise terra, embora
Não veja nenhuma, seca
Ou húmida. Seja mesmo lama,
Suponho, porque não estou certa
Do que quer que seja.
Esmagarei folhas verdes,
Flores vívidas, galhos,
Sem vida, nos passeios que não
Faço, fazendo-os, na imaginação extrema,
Desorbitada, no sempre,
No centro, descentrado do Nada.

Que braços me enlaçam?
Quem me segura na borda do abismo
De mim mesma? Quem me faz a leitura do que
Não ouso desnudar, no solo empedrado e negro
Da medula do poema?

Violeta Teixeira, inédito.

Publicado por Violeta Teixeira em 28/05 às 02:04 AM
Categoria • Poesia

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