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NÃO SEI SE…

Registo fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora-Olhares.com e fotogenico.net

São vozes? Vozes velozes! Ou asas de albatrozes,
Contra mastros? Asas ébrias de maresias e de escamas,
No dorso das vagas do oceano das euforias induzidas,
Por especiarias das índias engolidas pela justiça
Da História? Sons, ecos secos, sibilantes, sílabas
De disfunções cognitivas, mórbidas. Frias. Ferem-me
A derme, a epiderme. Os ossos são rendilhados
Por dedos ineptos do tempo. Estilhaçam. Caem
Em lascas finas, no lajedo gélido do cepticismo,
E a brisa sádica fá-las penas de aves, esvoaçantes,
No pátio, que daria para saídas, se o portão do tudo
É possível, se abrisse aos caprichos insanos de uma
Mente embriagada, incrivelmente, lúcida.
Mas não! Invisível, um cérebro puro, varre
O lixo do inexorável, e senta-se, sereno, no sofá,
Rindo, às gargalhadas, da cena encenada,
Por um ser que se crê invencível. Não!
São vozes conhecidas! Abrem de par em par
O portão cerrado. É um corpo de bailado,
Sem orquestra, sem maestro, sem, ao menos,
Um piano a quatro mãos. No entanto, delicio-me.
Todo o mundo se fez luz. Adormeço, abraçada
À almofada, como se fora o corpo esbelto
De quem amo. Como se tivesse feito amor.
Não sei, porém, se adormecerei para o sempre.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 17/04 às 02:25 AM
Categoria • Poesia

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