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NÃO OUSES FAZER UM PASSSO!

Registo fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora-Olhares.com e violetateixeirapandora-fotogenico.net

Nem ouses o ensaio de um passo!
Sou uma sebe de arame farpado.
No aquém, um exército de ferimentos
Insarados, e atentados feridos de iniquidades.
Existo, se isto o é, numa herdade, onde
Cultivo, com sementes bem grávidas
De verdades, girassóis, de um amarelo saturado,
Como os de Van Gogh, papoilas vermelhas
Do sangue do meu pulso, sempre fissurado,
Pelos meus mesmos dedos, esfarelados
De logros, desencantos, desencontro de astros
E cansaço. Não ouses, repito, nem o mínimo
Ensaio de um passo de aproximação. Nem
Quando tomba, retumbante, a noite, pois
Os arames acendem-se. Explodem bombas
De uma revolta indómita, e o meu pêndulo
Do sangue desacerta no tempo e, uivante,
Sopra, como o vento da vida invivida.
Neste aquém da sebe de arame farpado,
Grita, enfurecido, um bicho bizarro, ferido,
Fatalmente, por piratas ferozes do sadismo.
Não ouses fazer um passo! Descrente de deus
E do destino, sou um ser terno, mas abomino
O veneno verde do egocentrismo disfarçado,
Com vestes de supremo humanismo.
Não ouses fazer o mínimo passo!

Violeta Teixeira, inédito-17-05-2008

Publicado por Violeta Teixeira em 18/05 às 12:49 AM
Categoria • Poesia

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