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NÃO! NÃO INSISTAM!

Carol Robinson

Não! Não insistam!
Ausentei-me. Hibernei-me.

Não insistam! Já vos disse
Que não estou! Que me não sou!

Não sei se abri as veias do
Pulso desistente, mas vejo sangue,
Gotejando nas lajes lisas e frias,
E nas vestes que não uso,
Nesta agonizante tarde de cinzas.

Só sei que o vermelho brilha,
Livre e voluptuoso,
Como se se tratasse de um rito,
Com oficiante ausente, mas
Cúmplice dos gestos lúcidos
E nulos, que me vou fazendo .

Não! Não insistam! Merde! Não estou.
Já vos disse que não estou!
Não! Não preciso de nada! De nada vosso!

Não me tragam teses
E dogmas e tábuas de Moisés! Merde!
Nada me consola, nada me nega o NADA!
Não me agridam os braços do não creio
Em nada. Em nada! Basta!

Dispenso-vos do segundo raso
E seco e cínico de silêncio,
Sobre o enfim me durmo.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 01/07 às 09:20 AM
Categoria • Poesia

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