§ Comentários:
NA NUDEZ DA NOITE
Registo fotográfico de Wilhelm Leisten
Sou o cão rafeiro
Auto-excluído do meu clã.
Todas as portas por onde,
Furtivo, entro na nudez da noite,
Só dão para saídas:
Espaços ásperos de silêncios,
Céus com mil luas, cujos rostos
Se eclipsam dentro dos meus olhos.
Todas as portas só dão
Para saídas, sem saída.
Sem um horto com árvores e aves,
Sem uma chama, ardendo devagar,
Sem uma lágrima lunar,
Dulcíssima e leve,
Sem uma mão que se ofereça
Ao meu cansaço.
Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, 1999
Publicado por Violeta Teixeira em 27/02 às 12:34 AM
Categoria • Poesia •
Seguinte: POVO BÁRBARO
Anterior: LOUCURA