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JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA

José Agostinho Baptista premiado 20 anos após estreia
José Agostinho Baptista, hoje distinguido com o Grande Prémio de Poesia CTT/APE pelo seu livro «Esta voz é quase o vento» publicou o primeiro livro há 20 anos.
O poeta, nascido no Funchal a 15 de Agosto de 1948, colaborou em vários órgãos da imprensa escrita, nomeadamente no Comércio do Funchal, República e Diário de Lisboa, cujo suplemento «O Juvenil» o tornou conhecido como poeta.
De 1976 até hoje tem publicado 14 títulos, sendo o mais recente, o vencedor do Grande Prémio, hoje anunciado.
Considerado pelos críticos como uma das mais originais vozes da contemporânea poesia portuguesa, poetas como António Ramos Rosa, e Fernando Pinto do Amaral dedicaram-lhe vários ensaios.
José Agostinho Baptista tem também assinado diversas traduções, designadamente de autores como Walt Whitman, W.B.Yeats, Tennessee Williams, Paul Bowles, Enrique Vila-Matas, Rabindranath Tagore, Robert Louis Stevenson, Oliverio Macías Alvarez e Malcolm Lowry.
Há cinco anos foi condecorado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com as insígnias de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
O prémio APE/CTT, no valor de cinco mil euros, foi atribuído por maioria do constituído por António Osório, José Viale Moutinho, Maria Andresen de Sousa, Nuno Júdice e Paula Cristina Costa.
Diário Digital / Lusa
22-05-2006 18:02:00
BIOGRAFIA
Obra Poética Completa - 1976/2000
“Se às vezes, se em certos casos, a poesia imita a vida e a vida imita a poesia, então talvez cada verso seja uma linha da cabeça, uma linha do coração, uma linha da vida. E então, sonâmbula e feroz, a mão que escreve talvez não faça mais do que construir, palavra sobre palavra, a casa de um homem, a sua história. E a sua voz obscura passará sobre a terra, sobre os anos, completando a obra.”
José Agostinho Baptista
“A poesia de José Agostinho Baptista é de certo modo um lamento, como dissemos, e por vezes extremamente pungente e por isso não podemos deixar de ter em conta o negativo que trespassa estes poemas delicadíssimos que são da melhor poesia que hoje se escreve em Portugal.”
António Ramos Rosa,
in Incisões Obliquas, 1987
“José Agostinho Baptista é um poeta para quem a terra, e particularmente a ilha da Madeira, donde é natural, é um contorno existencial inseparavél da subjectividade. Porém, esta profunda imersão na terra liga-se à própria ausência e a uma indefinivel nostalgia cujo vazio o poema tenta preencher pela livre imaginação afectiva. É esta tensão entre a adesão existencial e a distância ou separação que existe no seio dela que faz de cada poema um apaixonado lamento, dilacerante mas sempre deslumbrante.”
António Ramos Rosa,
in A Parede Azul, 1991
Novidades:
AHORA Y EN LA HORA DE NUESTRA MUERTE
Edição bilingue
Editorial Olifante, Zaragoza
Tradução de Antón Castro
Prólogo de Enrique Vila-Matas
Do Autor:
• Deste Lado Onde
Assírio & Alvim, 1976
• Jeremias o Louco
Centelha, 1978
• O Último Romântico
Assírio & Alvim, 1981
• Morrer no Sul
Assírio & Alvim, 1983
• Autoretrato
Assírio & Alvim, Março, 1986
• O Centro do Universo
Assírio & Alvim, 1989
• Paixão e Cinzas
Assírio & Alvim, 1992
• Canções da Terra Distante
Assírio & Alvim, 1994
• Debaixo do Azul Sobre o Vulcão
Edição do autor, 1995
• Agora e na Hora da Nossa Morte
Assírio & Alvim, 1998
• Biografia
Assírio & Alvim, 2000
• Ahora y en la Hora de Nuestra Muerte
Olifante, Ediciones de Poesia, 2001
• Anjos Caídos
Assírio & Alvim, 2003
• Esta Voz é Quase o Vento
Assírio & Alvim, 2004
Foto do mar da autoria de José Marafona
lembro-me das horas sobre o mar
do surdo rumor do casco dos navios
da tua boca colada à paixão dos mapas primitivos.
entretanto o teu corpo corre devagar para o litoral
e as casas por detrás dos cabelos são brancas
loucamente brancas.
no princípio eram as paredes
e havia o teu riso altíssimo encostado aos dias que
morriam nas paredes.
quem destruiu tudo isso?
quem matou as aves nos ramos da tua loucura?
oiço este rio que corre longe de mim longe de tudo
este corcel galopando pelos países -
quem canta esta noite?
entretanto tu atravessas a minha poesia com espadas de
neve
e falas de casas como quem fala do surdo rumor do casco
dos navios -
quem canta esta noite?
e o teu corpo vai correndo devagar para o litoral
e as casas por detrás dos teus cabelos são brancas
loucamente brancas.
(José Agostinho Baptista- BIOGRAFIA. Edição: Assírio & Alvim
Publicado por Violeta Teixeira em 22/05 às 07:40 PM
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