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INVENTO A DOSE DE ÓPIO
Não te debruces
Para
Dentro de mim.
Invento jogos
De sangue,
Com misturas
Sórdidas de cinzas,
Máscaras que sugam
A saliva dos ossos.
Invento olhos
E bocas e sexos
Sem fluídos,
Sem sucos de pêra,
Sem babas de mangas,
Sem espumas.
Invento desejos
De veneno
E de espelhos
Rachados no rosto
Do outro.
Invento corpos
Soçobrados pelo
Quarto, como larvas
Ou vermes. Bichos
Medonhos.
Invento metamorfoses
De búzios, de raízes,
De parasitas, na garganta,
Com contornos
De nervos.
Invento serpentes
Letais nas veias vazias
Dos pulsos, e lagoas
De sangue nos
Espaços vazios
Da sanidade ambígua.
Invento a dose de ópio
Que me baste, para a violência
E para a volúpia.
In Violeta Teixeira, LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000
Publicado por Violeta Teixeira em 30/07 às 11:32 PM
Categoria • Poesia •
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