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HUMÍLIMA HOMENAGEM
HUMÍLIMA HOMENAGEM NO DIA DA MORTE DE FERNANDO PESSOA(S)
São passados setenta anos sobre a morte de Fernando Pessoa(s)
«Quem me dirá quem sou?»
Grito-me para dentro.
Grito-me. Sem êxito.
O dentro, se o há,
Se, alguma vez, o houve, deveras,
É um palco repleto de máscaras,
Ou um deserto gélido de sombras, sem
Signos legíveis das pegadas
De ser nenhum.
Grito-me, de novo. Para dentro.
Como teria feito o Pessoa,
Sem pessoa dentro.
Sempre ouço um «Não sou nada.»
Um « Nunca serei nada.»
Um «Não posso querer ser nada.»
Atroado da «Tabacaria»
Do Álvaro de Campos.
Então, meu caro poeta,
Se o Nada sustenta o Ser, um dia
Haverá, em que nos seremos.
( Não!) « Nunca serei nada.»
«Não posso querer ser nada.»
( Nada! Nada! Nada!), repete-me,
Com gritos histéricos, o Campos
Sado - masoquista das odes
«Triunfal e Marítima.»
«Quem me dirá quem sou?»
Agora, grito dentro das ditas
Odes futuristas, que não ouço,
E, de súbito, solta-se um
«Posso imaginar-me tudo porque
Não sou nada», do niilista
«Livro do Desassossego.»
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003
Publicado por Violeta Teixeira em 30/11 às 10:53 AM
Categoria • Poesia •
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