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HUMÍLIMA HOMENAGEM

Escritor egípcio Naguib Mahfouz morreu aos 94 anos

O escritor egípcio Naguib Mahfouz, prémio Nobel da Literatura em 1988, morreu hoje num hospital público do Cairo.
Naguib Mahfouz, de 94 anos, estava hospitalizado desde 16 de Julho.
Nascido no Cairo a 11 de Dezembro de 1911, Naguib Mahfouz escreveu cerca de cinquenta romances, entre os quais «A Viela de Midaq», editado em Portugal, e era considerado o intelectual mais célebre do Egipto.
30-08-2006 8:05:42

Escritor Naguib Mahfouz será sepultado amanhã no Cairo

O escritor egípcio e Prémio Nobel da Literatura Naguib Mahfouz, que faleceu hoje com 94 anos, será sepultado quinta-feira no Cairo, informaram hoje fontes do ministério do Interior do país.
Primeiro e único autor de língua árabe a receber o Nobel da Literatura, em 1988, Mahfouz morreu num hospital público da capital egípcia na sequência de uma insuficiência renal, de uma pneumonia e problemas ligados à sua idade avançada.
Uma fonte ministerial indicou que as exéquias do escritor se realizam «quinta-feira ao meio-dia (09:00 TMG) na Mesquita de Al- Rashdan» do Cairo.
Este templo acolhe normalmente funerais de personalidades a quem o país presta honras militares.
Uma outra fonte observou que a escolha da mesquita significa que provavelmente o presidente egípcio, Hosni Mubarak, deverá assistir ao funeral.
Diário Digital / Lusa
30-08-2006 12:16:00
Vencedor do Prémio Nobel de Literatura de 1988

O encontro das culturas diferentes
Caderno 3 de 13/08
14/08/2006 - 11h43min
É mais do que oportuna a realização no Brasil, em especial numa capital nordestina do porte de Fortaleza, uma Bienal do livro cujo tema principal seja a literatura árabe. Trata-se, com efeito, de um assunto que, por motivos ainda não estudados, a cultura luso-brasileiro – ao contrário de todas as outras – tem ignorado sistematicamente. A título de comparação, basta dizer que a maioria das universidades espanholas tem cursos de língua, literatura e cultura árabes, ao passo que nenhuma – eu disse nenhuma – unversidade portuguesa os tem.
O fato é estranho, uma vez que a cultura árabe se reveste, para a história portuguesa, de importância quase igual à que se reveste para a história espanhola. Sem dúvida que na Espanha a presença árabe foi mais longa e mais marcante, mas nada que explique tamanha diferença. Há quem diga que, enquanto na Espanha as lutas e diferenças se deram até bem entrado o século XVII, em Portugal a assimilação dos árabes após a consolidação cristã foi rápida e deixou como herança uma tendência ao silêncio a respeito do assunto.
No Brasil, de certo modo, reproduz-se essa característica portuguesa, aqui acentuada pela postura isolacionista assumida por parte dos intelectuais – e também dos apologistas da ignorância, como é o caso de uma escritora de cujo nome não me quero lembrar, que durante a criminosa invasão do Iraque declarou “que se dane a Mesopotânia”, assim mesmo, com “n” e com um verbo mais cabeludo, segundo me asseguraram fontes dignas de toda credibilidade.
Mas a postura isolacionista, ressalte-se, é de um isolacionismo de araque. Primeiro, isso tem sido impossível desde o advento dos tempos modernos. Segundo, esses mesmos isolacionistas eram, na verdade, ocidentalistas, eurocentristas e americanistas, como queiram, todas as alternativas juntas ou isoladas.
Por isso, a tradução de literatura árabe ao português é escassa, e no Brasil existem mais traduções diretas do que em Portugal. Nos últimos anos, foram traduzidos diretamente do árabe ao português, no Brasil, autores modernos como o Prêmio Nobel Naguib Mahfouz (várias obras), Tayyeb Sálih, Mourid Barghouti e Elias Khoury, este último em processo de finalização, e medievais como o poeta andaluz Bin Quzmán e o prosador Ibn Almuqaffá, além de obras anônimas como “As Cento e uma Noites” e “As Mil e uma Noites” e obras não exatamente literárias como as dos filósofos medievais Avicena (“A Origem e o Retorno” e “O Livro da Alma”, este último em processo de finalização), Averróis (“O Discurso Decisivo”) e Ibn Tufayl (“O Filósofo Autodidata”) e contemporâneos como o marroquino Abed Jabri. A maior parte dessa produção é traduzida diretamente do árabe e se deve ao esforço de professores universitários. É pouco se comparado com outros países, mas muito se comparado com Portugal, onde não se fazem traduções diretas do árabe, e com um passado não muito distante
Trata-se, evidentemente, de romper as barreiras dos dois lados, pois a literatura brasileira tampouco é bem conhecida no Mundo Árabe. Um autor palestino recém traduzido ao português, Mourid Barghouti, na introdução de seu livro de memórias “Eu Vi Ramallah”, especialmente escrita para para a tradução brasileira, ao falar de nossa literatura citou Jorge Amado e Paulo Coelho, apenas. Sem desfazer de nenhum dos dois, antes pelo contrário, não acredito que possam ser considerados os representantes mais significativos, hoje, de nossa literatura. No entanto, somente eles, e talvez mais um ou outro, são conhecidos no mundo árabe. Talvez mais uns outros, poucos.
Há coisa de alguns anos, o poeta iraquiano Khalid Al Maaly, que virá à Bienal e é também editor, me pediu que traduzisse o “Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa. Bem, não é literatura brasileira, mas Pessoa é o autor português do qual mais escandalosamente nos apropriamos no Brasil. Conforme disse Saramago, costumamos, ou costumávamos, nos referir a ele, talvez inconscientemente, como “poeta de língua portuguesa”. Seja como for, não pude levar o projeto adiante. Também morreu perto do nascedouro minha tentativa, com ajuda da escritora egípcia Afaf El Sayyed, de traduzir “Um Copo de Cólera”, de Raduan Nassar, ao árabe. Ainda hoje guardo os rascunhos do começo do trabalho. Mas a falta de tempo me impediu de continuar. Minha colega da USP, Safa Jubran, traduziu, para uma boa editora libanesa, a “Casa Alfarabi”, o romance “Dois Irmãos”, de Milton Hatoum, com patrocínio da Biblioteca Nacional.
Enfim, um dos principais motivos para essa aparente indiferença cultural entre Brasil e Mundo Árabe está na falta de especialistas na arte da tradução, sobretudo da tradução literária, que exige maior tato e delicadeza. Iniciativa louvável como esta da VII Bienal Internacional do Livro do Ceará pode se constituir no passo inicial e decisivo para uma virada nesse panorama. Oxalá isso se dê!
Mamede Jarouche é Doutor em Letras e professor de língua e literatura árabe do curso de Letras da Universidade de São Paulo. Vencedor do prêmio Jabuti de melhor tradução pelos volumes I e II do “Livro das Mil e uma Noites”.
Fonte: jornal DIÁRIO DO NORDESTE
http://www.diariodonordeste.com.br

A Viela de Midaq
Naguib Mahfouz


«É visível que há um crescente e deslumbrado interesse pela obra de Naguib Mahfouz. Basta atentar no ritmo a que se sucedem edições francesas, inglesas, espanholas, alemãs… Basta reparar no espaço que os críticos destes e doutros países lhe dedicam. Basta notar no facto impressionante de livros de Mahfouz se terem mantido meses a fio nos primeiros lugares da lista dos mais vendidos na nossa vizinha Espanha.
É caso para dizer que o Prémio Nobel cumpriu bem a sua missão «impondo», merecidamente, um escritor egípcio a uma Europa tantas vezes desatenta das literaturas árabes.
A Viela de Midaq, segundo livro de Mahfouz publicado pela Caminho — pois já havia editado Em Busca —, é um romance amplo e minucioso, que transcende facilmente o tempo e o lugar, para nos dar um fresco cuja vivacidade e cujo brilho tornam salientes a textura dos dramas e das questões que vivem as mais variadas personagens na sua natureza e nas suas circunstâncias.
A Viela de Midaq é um mundo, um mundo de um escritor consumado e extremamente cativante.»

«Naguib Mahfuz, (11 de dezembro de 1911, Cairo) é um escritor egípcio, autor de relatos, romances e roteiros de cinema. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1988. Seus romances mais conhecidos são Miramar (1967) e os que compõem “A trilogia do Cairo” (1956-1957), onde cada um dos livros é batizado com o nome de um bairro da capital egípcia. É autor, também, de “A taberna do gato preto”.

É o único escritor de língua árabe a receber o Prémio Nobel.

Publicado por Violeta Teixeira em 30/08 às 03:05 PM
Categoria • Reflexões

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