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FLANAMOS FELIZES

Mãos cheias de maresia
Esmeralda, flanamos felizes,
Nas areias rosáceas de uma praia,
Algures, intemporal.

Cresce-nos nos braços,
Abertos, contra os ventos,
Um crepúsculo musical e macio,
E a nossas línguas são
Serpentes com cio, enroladas
Num brasido húmido.

Asas de gaivotas
Agitam-se, vermelhas,
Dentro dos nossos olhos.

O mar, que não vemos,
É um murmúrio dulcíssimo,
A semear gemidos de sereias.

Somos um roçar de escamas,
Bravio de cintilações sacrílegas.

Toca-nos, cúmplice, a noite,
Mas não nos anoitecemos.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 24/08 às 01:31 AM
Categoria • Poesia

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