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ESCULTURAS ENIGMÁTICAS

Levanta-se, a custo, a escultora,
Para se naufragar na névoa do fumo.
Move-se, a custo, pelo quarto esconso,
Envolta numa écharpe, com franjas ouriçadas
De raiva. Medíocre. Nula. Lixo. Soluça.

Consome-se o cigarro, consome-se a lembrança
Do último abraço, compadecido, sem élan.

A luz feroz do farol estilhaça-lhe os cacos
Da nenhuma esperança.

Debruça-se, de vez, no novelo da vertigem,
Que dá para o seu mar, cuja voz lhe segrega
Sossegos líquidos, sem epitáfios.

Violeta Teixeira, in LÂGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 27/08 às 11:13 PM
Categoria • Poesia

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