§ Comentários:
ESCRITOR
«Um escritor é uma coisa curiosa. É uma contradição e, também, um contra-senso. Escrever também é não falar. É calar. É gritar sem ruído. Um escritor é, muitas vezes, repousante: ouve muito. Não fala muito porque é impossível falar a alguém de um livro que se escreveu e, sobretudo, de um livro que se está a escrever.
É impossível. É o oposto do cinema, o oposto do teatro e de outros espectáculos. É o oposto de todas as leituras. É o mais difícil de tudo. É o pior. Porque um livro é o desconhecido, é a noite, é fechado, é assim. É o livro que avança, que cresce, que avança em direcções que julgávamos ter explorado, que avança em direcção ao seu próprio destino e ao do seu autor, então aniquilado pela sua publicação: a sua separação dele, do livro sonhado, como da criança recém-nascida, sempre a mais amada.»
Marguerite Duras, in «Escrever»
Marguerite Donnadieu, também conhecida como Marguerite Duras (4 de abril de 1914, Indochina Francesa (hoje Vietnã) - 3 de março de 1996), foi uma escritora e diretora de filmes.
Ela nasceu em Gia Dinh, antiga Indochina Francesa e atual Vietnã, e foi para a França, terra de seus pais, estudar Direito. Lá, tornou-se escritora. Decidiu mudar o apelido/sobrenome Donnadieu por Duras, nome de uma vila do departamento francês de Lot-et-Garonne onde se situava a casa de seu pai.
É autora de diversas peças de teatro, novelas, filmes e narrativas curtas. Seu trabalho foi associado com o movimento chamado nouveau roman (novo romance) e com o existencialismo. Entre algumas de suas obras estão O Amante, A Dor, O Amante da China do Norte e O Deslumbramento.
Algumas de suas obras foram adaptadas para o cinema como O Amante.
Morreu os 81 anos de idade de câncer e foi sepultada no cemitério de Montparnasse.
Uma obra múltipla
Depois de um relato autobiográfico ainda marcado pelo realismo, onde evoca sua infância e sua adolescência passadas na Indochina (Un Barrage contre le Pacifique, 1950), Marguerite Duras volta-se para obras aparentemente estáticas, onde os personagens tentam escapar da solidão para dar um sentido a sua vida através do amor absoluto (Le Ravissement de Lol V. Stein, 1964; Le Vice-Consul, 1966), o crime e a loucura (Moderato Cantabile, 1958; L’Amante Anglaise, 1967). Incapazes de se comunicar realmente, suas heroínas vivem “sem saber por que”, mas esperam que “alguma coisa saia do mundo e venha até (elas)”. Diálogos de uma aparente inutilidade traduzem essa espera patética (L’Après-midi de Monsieur Andesmas, 1962), sugerem “essas soluções ambíguas e impossíveis de se deslindar” (Détruire, dit-elle, 1969) ou evocam personagens atingidos “por uma fraqueza essencial e mortal” (La Maladie de la Mort, 1983).
Com L’Amant e L’Amant de la Chine du Nord (1991), a escritora retorna à China dos anos 30, para falar tanto do paroxismo do gozo e da dor da morte quanto do desejo sempre renovado de escrever, Yann Andréa Steiner (1992) é dedicado a seu último amante e companheiro, um jovem com quem dividiu os últimos anos de sua vida. Ao todo, sua obra reúne quarenta romances, dez peças de teatro e filmes escritos e(ou) realizados (dos quais India Song, 1975).
MARGUERITE DURAS
Saigão - Indochina francesa, 1914-1944
Nascida em 2 de Abril de 1914, em Saigão, Indochina, onde passou a infância e a adolescência, Marguerite Duras iria ficar profundamente marcada pela paisagem e pela vida da antiga colónia francesa. Em 1932 fixou-se em Paris, onde estudou Direito, Matemática e Ciências Políticas. Foi capturada pela Gestapo quando fazia parte dos quadros da Resistência, durante a ocupação alemã, e sofreu longa deportação na Alemanha nazista. Após o armistício ingressou no Partido Comunista Francês, de que foi expulsa, em 1950, por dissidências ideológicas. Formada sob a influência da moderna narrativa norte-americana, e sobretudo de Hemingway, obteve renome internacional com a publicação do romance Un barrage contre le Pacifique (1950), cuja acção decorre na Indochina. Nesta obra, parcialmente autobiográfica, a autora narra a vida estranha de uma viúva francesa e de seu filho, implicados nos sofrimentos impostos pela corrupção do ambiente colonial francês, e atinge momentos de grande energia e de um vigor excepcional. Seguem-se outros romances, de que se destacam Le Square (1955), em que a autora envereda por uma técnica de narração que virá a ser uma característica dominante do seu ficcionismo e que a associou ao movimento do nouveau roman . Autora de peças de teatro e de vários filmes, entre os quais o célebre Hiroshima, meu amor, foi o seu romance O Amante, (prémio Goncourt de 1984), relato exacerbado de uma paixão na adolescência inquieta da escritora, que a tornou conhecida de um público vastíssimo, até aí arredado de uma obra considerada demasiado difícil e intimista. “Não podemos fazer mais do que amar - ou execrar - essa pequena mulher provocante, rodeada dos seus fantasmas (...). Essa pequena mulher, que roda sobre ela mesma como uma valsa solitária, terá sido uma senhora? Foi sobretudo uma mulher voraz de uma literatura que é um grito de amor ao longo de todas as páginas. Uma Piaf.” - Jean-François Josselin.
in Mulheres nas Letras, Mulheres dos Livros
Publicado por Violeta Teixeira em 29/08 às 09:09 AM
Categoria • Reflexões •
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