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EM HOMENAGEM A GOETHE

1749 ( 28 de Agosto) – 1832

Os signos de um crepúsculo
Arroxeado cristalizam-se
No meu espaço, quando, de súbito,
Por breves minutos infindos,
Surge-me, em cima da mesa,
Um rosto cujos olhos
Me fitam com frieza,
Sobre um volume enorme
Do «Fausto» de Goethe.
Em vão, tento uma fuga,
Mas os pés, tenho-os atados,
E não sei das mãos
Para pegar numa tela
Estranhíssima, e, com ela,
Cobrir o rosto, este rosto,
Cujos olhos insistem
Em fixar-me, como dois censores.
Nem uma gota de sangue,
Pingando nas páginas de Goethe!

Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, 1999

Publicado por Violeta Teixeira em 28/08 às 08:32 AM
Categoria • Poesia

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