§ Comentários:
«ECO-EFICIÊNCIA NA INDÚSTRIA DA ÁGUA»
«ECO-EFICIÊNCIA NA INDÚSTRIA DA ÁGUA»
Como várias crónicas, neste espaço jornalístico, e noutros, tiveram como objecto temático o ambiente ( no seu sentido mais lato), nomeadamente o «ouro azul», hoje, Dia Mundial Do Ambiente, estando este minúsculo estado hispânico ( e não só ele) a sofrer de uma seca extrema/severa e da eclosão de bastantes incêndios, limitar-me-ei a dar a palavra a um especialista na matéria em causa, cujo nome, estatuto e fonte indicarei em nota de rodapé.
Antes, porém, faço questão de declarar que o título que atribuí a este escrito é da responsabilidade da fonte onde fui beber, da qual passarei a transcrever dois excertos.
Oiçamos, então, o referido especialista: « (…) a eco-eficiência traduz-se na produção de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e melhorem a qualidade de vida, adoptando processos produtivos que minimizem os impactos ambientais e a intensidade de utilização de recursos até o nível que seja compatível com a capacidade do planeta. Os objectivos associados ao conceito de eco-eficiência podem-se sintetizar na redução de recursos, na redução do impacto ambiental na natureza e na melhoria do valor do produto ou serviço.
Tendo em conta o seu carácter geral, a aplicação dos princípios da eco-eficiência poderá ser feita a qualquer tipo de indústria. Em teoria, os efeitos positivos para a empresa e para o ambiente, deverão ser tanto maiores quanto maiores forem os recursos naturais utilizados e o impacto ambiental da sua actividade. Ora, estando a indústria da água, e, dentro dela, os Serviços Urbanos de Água (SUA), dentro do grupo das actividades mais intensivas no uso da natureza, a aplicação dos princípios da eco- eficiência deverá ter maior efectividade e originará impactos mais positivos na dupla óptica económica e ecológica.
A redução do consumo de recursos é o primeiro objectivo. Para que tal aconteça na IA, a diminuição das perdas de água captada e consumida, esta-se a retirar `natureza menos recursos, a utilizar menos energia em elevação e tratamento, a consumir menos reagentes no tratamento, isto é, utilizamos menos a natureza e produzimos a menores custos. Esta é uma questão bem conhecida e analisada. Quando verificamos o desperdício ambiental e económico que implicam taxas de perda da ordem dos 40 ou 50 por cento, como as existentes em bastantes entidades distribuidoras, compreende-se imediatamente que o controlo de perdas é crucial para se atingir a eco- eficiência no sector.
No entanto, o controlo de perdas não é a única medida. Muitas outras posem ser adoptadas. Temos em Portugal um verdadeiro manual para nos ajudar a utilizar a água eficientemente. No « Programa Para o Uso Eficiente da água (da autoria do Laboratório Nacional de Engenharia Civil com a colaboração do Instituto Superior de Agronomia). (Neste manual) estão elencadas 87 medidas de âmbito e impacto diverso, de maior ou menor facilidade de implementação e com custos igualmente diferenciados Elas são dirigidas às entidades gestoras dos SUA, à agricultura, à indústria e às famílias. A aplicação deste Programa sendo urgente, vai para além das obrigações e das capacidades dos SUA. Mas, a responsabilidade social e ambiental inerente a qualquer empresa, é acrescida num Serviço de Interesse Geral como são as entidades gestoras do sector. Estas estão obrigadas a contribuir, de uma forma assertiva, para a conservação da água num país, embora sem problema de «stress hídrico» permanente, não escapa a períodos de seca, como a verificada neste Inverno (…)», seca, essa, como, acima afirmei, extrema e severa.
«(…) Por último, refira-se que a aplicação dos princípios da «Ecologia industrial e a partilha da rede dos SUA com outras actividade, sendo possível e útil do ponto de vista da eco-eficiência, mostra, mais uma vez, a necessidade da gestão enformada por uma visão integrada e sistémica.»
Violeta Teixeira
Nota: Sérgio Hora Lopes, (economista docente da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica nas áreas da Economia e Gestão do Ambiente, in Água Em Revista, integrante do Jornal Público do dia 2 de Maio de 2005.
Publicado por Violeta Teixeira em 14/04 às 08:57 AM
Categoria • Crónicas •
Seguinte: RECORDO-O
Anterior: VERDADE