§ Comentários:


DIA MUNDIAL DO AMBIENTE

DA PUREZA DO AR

Embora não tenha formação académica em nenhum dos ramos das múltiplas ciências, algumas fazem parte da minha cultura geral, em especial as denominadas ciências humanas e sociais, e, com algum estudo mais aprofundado, adquiri os conhecimentos essenciais da Ecologia, como ciência biológica, estando sempre em estado de alerta informativo, relativamente às problemáticas ambientais, quer as de Portugal, quer as da Terra, dado o facto do Planeta Azul ser uma prolixa lixeira, gerando na cidadã empenhada que sou preocupações bastante dolorosas.
Imagine-se, por isso, a satisfação que experimentei ao ter conhecimento de que uma cidade deste país, cujos governos têm subalternizado as questões ambientais, se tenha tornado a primeira «cidade Bioclimática Ibérica», certificação concedida, em Fevereiro, à Guarda, pelo Instituto Clínico de Alergologia do Hospital Inglês (ICAHI) de Lisboa.
Por que motivos a Guarda recebeu este «troféu» e não, por exemplo, Leiria?
Mais adiante, responderei a esta pergunta, mas, por agora, é da Guarda que falo. Assim sendo, esta cidade deve aquela certificação ao facto de ser dotada de um índice de pureza e qualidade do ar que se respira, o que potencia o tratamento de doenças do foro respiratório, permitindo que, após aquela certificação, possam vir a ser criadas, seja por industriais, seja por entidades políticas, investimentos no tratamento das doenças, do foro, atrás referido, até porque a zona da Guarda «é uma área privilegiada, beneficiando de todas as condições naturais da vizinhança do maciço da Serra da Estrela, às quais se juntam características próprias», razões pelas quais «para o efeito foi constituída a «Guard-Ar/ Associação para a Promoção do Ambiente e Saúde do concelho da Guarda», integrando médicos pneumologistas e industriais da região.
Acrescento que, no dia em que à Guarda foi concedida a certificação de «cidade bioclimática», no âmbito do Congresso de Bioclimatismo, que ali teve lugar, foi assinado um acordo de geminação com a cidade francesa Biançon, onde está sedeada a Federação Europeia de Bioclimatismo.
Faço questão, ainda, para que não cometa uma injustiça grave, que todo aquele processo foi iniciado pela Câmara Municipal, em colaboração com parceiros locais e nacionais.
Bem! Já porque, me ocupo, neste espaço jornalístico, da pureza do ar que se respira na cidade da Guarda, responderei à pergunta, acima formulada, a saber: por que ganhou aquele «troféu» a Guarda e não, por exemplo, Leiria? Responder-me-ão que esta cidade não tem as condições geogáfico-climatéricas daquela. Sim, não as tem, é certo. Mas, quanto a mim, dispensava a referida certificação, exigindo, contudo, que fossem tomadas medidas urgentes de modo a reduzir drasticamente os níveis de emissões poluentes, e, consequentemente, a respirarmos um ar, não direi tão puro como o da Guarda, mas com suficiente qualidade. Que medidas? As entidades responsáveis pela qualidade de vida dos cidadãos, sabem-no bem. Recordo apenas que esta é a cidade portuguesa que tem a taxa mais elevada de automóveis «per capita» ( como de cães e de gatos, muitos sem-abrigo), ainda que não possua parques de estacionamento suficientes ( o meu bairro, por exemplo, o dos Capuchos, está transformado num parque), e os que se estão a ser construídos situam-se no coração da cidade, o que não acontece em nenhuma urbe dos países civilizados.
Ora, imagine o leitor quão puríssimo é o ar que os residentes do Bairro dos Capuchos respiram! O da cidade, no seu todo, dispenso-me de falar, dado o que já afirmei acima.
Termino, reafirmando o quanto me regozijo com o facto da Guarda ser a primeira «Cidade bioclimática Ibérica», até porque Portugal está em todos os domínios na cauda da Europa. A título de exemplo, refira-se que, no respeitante ao Ensino Superior Universitário, da lista das 500 melhores universidades, de Portugal apenas está incluída uma ( no 381º lugar mundial). E quanto ao sucesso da disciplina de Matemática? Ocupa uma posição inferior à de muitos países asiáticos, considerados subdesenvolvidos.
Mas, que têm as universidades e o insucesso da matemática a ver com a qualidade do ar que os fazedores dos programas, os estudantes e docentes respiram? Responda o leitor, se souber. Sim! Porque vou arrumar o automóvel, que não tenho, e recolher-me na minha cela de cimento, onde, «pour cause», há um défice elevadíssimo de oxigénio.

Violeta Teixeira ( crónica publica na TRIBUNA DA MARINHA GRANDE)

Publicado por Violeta Teixeira em 05/06 às 06:16 PM
Categoria • Crónicas

Não existem comentários.

Nome:

Email:

Localização:

URL:

Ícones Expressivos

Recordar a minha informação pessoal

Notificar-me em caso de comentário?

Submeta a palavra que vê em baixo:


Seguinte: BOLORES DE AUSÊNCIAS

Anterior: DIA DO NASCIMENTO DE GARCIA LORCA

Voltar