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DIA MUNDIAL DA ENERGIA
PORTUGAL: ENERGIAS RENOVÁVEIS
Depois da própria força humana, o fogo foi a fonte de energia que os homens primitivos utilizaram, e, com ele, nasceram as primeiras civilizações. Dispenso-me de enumerar as outras fontes de energia anteriores às explorações petrolíferas, porque seria maçar o leitor. Direi apenas que, aquando do aparecimento do petróleo, o homem ficou tão maravilhado com a inúmeras possibilidades da sua utilização, que desprezou as energias renováveis, contribuindo, assim, como todos sabemos, para o efeito estufa, as chuvas ácidas, as alterações térmicas da Terra, etc.
Ocorre perguntar: por que não mudou o homem de atitude, a partir de 1973, ano da primeira grave crise energética, voltando-se para as várias energias renováveis, a saber, a eólica, utilizada, primitivamente, para a navegação, já antes do ano 2000 a.C. ( e para outros fins, assim como outras), a hídrica, a do hidrogénio, a dos oceanos ( das marés), a da biomassa, a solar e a geotérmica? Escuso-me de responder a esta questão, por considerá-la demasiado óbvia.
O importante é que, felizmente, cada vez mais se enraíza na consciência mundial a necessidade urgente de serem adoptadas medidas que garantam a qualidade de vida na Terra, sendo a primeira medida a de educar o ser humano para o futuro, de modo a preservar o meio ambiente, encarando o mundo de forma holística, ou seja, pondo em prática os saberes da «ecologia profunda», o que leva, inevitavelmente, a recusar a denominada «ecologia rasa». Quais são, afinal, as diferenças essenciais entre estes dois ramos bio- científicos? O primeiro «entende que existe uma interdependência primordial entre todos os fenómenos da Natureza, inclusive integrando o homem e a sociedade. Ou, mais explicitamente, «entende o homem, a Natureza e todos os fenómenos como uma rede fundamental interconectada e interdependente ( ou seja), a Terra não está para nós como uma casa alugada, mas sim como o casco da tartaruga»; o segundo ramo, antropocêntrico, «entende o ser humano como superior à Natureza, atribuindo a esta um valor instrumental».
Vejamos como se posiciona Portugal no panorama energético mundial, nomeadamente, no da União Europeia: importa 80 a 90% da energia que consome, e o seu consumo por unidade de Produto Bruto Interno tem vindo a aumentar nos últimos anos, tendência contrária à da maioria dos Estados- Membros da U.E. ( dos 15). Todavia, as energias renováveis constituem, segundo estudos há muito realizados, o único recurso energético que nos é mais próprio. Porquê? Porque de algumas daquelas energias está bem provido o nosso país, como, por exemplo, a energia solar, a eólica, a hídrica, a das marés e a da biomassa.
Consultemos o Livro Branco para uma estratégia e um plano de acção comunitários, no respeitante às energias renováveis: « as fontes de energia renováveis podem contribuir para diminuir a dependência das importações de energias e para aumentar a segurança do abastecimento (…)O objectivo principal é o de duplicar a parte das fontes de fontes de energia renováveis no consumo interno bruto de energia da União Europeia, elevando-a a 12% até 2010» (…), assim como utilizar 39% de electricidade procedente de fontes de energia «verde».
No entanto, Portugal, neste, como em muitos noutros domínios, é o mais atrasado no cumprimento daquele objectivo, ou melhor, daquele compromisso ( a par da Grécia), tendo, embora, boas condições para ser obediente. Parece que este exíguo território hispânico tem prazer em ser indisciplinado, desprezando a tomada de medidas políticas que melhorem a qualidade de vida do ambiente e dos cidadãos. Lamentável!
Não estarei a ser injusta? A realização do Euro 2004 neste atrasado país não é um evento mais glorioso do que a utilização acelerada das energias renováveis? Não basta para pôr, desmesuradamente, em erecção, o «ego» patriótico?
Em todo o caso, como o meu «ego» não aumenta de volume com aquele feito heróico, porque é antipatriótico, dou por findo este escrito, transcrevendo ( em vão, disso estou convicta) as recomendações da Comissão comunitária das energias «verdes», feitas em 2001: « A Comissão entende que, no futuro, os esforços devem incidir essencialmente na elaboração das estratégias e objectivos específicos para os sub-sectores nos Estados- Membros, na promoção da biomassa, nas medidas relativas ao sector da construção, no intercâmbio de boas práticas, visando uniformizar as medidas voluntárias nacionais, e na supressão dos entraves jurídicos e administrativos, acompanhada dos instrumentos comerciais inovadores a nível comunitário, sobretudo em matéria fiscal.»
Violeta Teixeira ( crónica publicada na TRIBUNA DA MARINHA GRANDE)
Publicado por Violeta Teixeira em 29/05 às 01:25 AM
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