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DIA INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE

Ophrys tenthredinifera

PORTUGAL: BIODIVERSIDADE III

Depois de ter dado ao leitor conhecimento da existência de uma lista, dita vermelha, das 136 espécies, quer da fauna, quer da flora, em vias de extinção, no nosso exíguo solo hispânico, comecei pela defesa do Cavalo do Sorraia (Ibérico), seguindo-se a do Lobo Ibérico. No agora, entregar-me-ei à defesa das orquídeas em perigo. Não as escolhi. Exibiram-se, exuberantemente floridas, no guardanapo virgem da minha escrita. Entre inúmeras plantas graciosas, igualmente ameaçadas, aquelas solicitaram-me, ao se exibirem, que eu lançasse a quem de direito um SOS VIDA. Aceitei fazê-lo, mas não me seja perguntado o porquê.
Terá sido pelo facto de aquelas plantas exóticas, de uma beleza e perfume embriagantes, com formas excêntricas, sedutoras e sensuais, autênticas peças escultóricas da Natureza, terem originado as mais variadas crenças e mitos, desde o seu aparecimento sobre a Terra, há 15 milhões de anos, mais concretamente, na Ásia, se forem tidos em conta os fósseis antigos que se conhecem actualmente? Uma dessas crenças deve-se ao facto das suas flores fazerem lembrar insectos ( fêmeas irresistíveis, fazem-se acasalar por aqueles, fornecendo-lhes o pólen que, por sua vez, estes oferecerão a outras, assegurando a perpetuação da espécie) e até silhuetas humanas. Além disso, a designação «orquídea» crê-se derivar do latim «orchis» que significa testículo, aludindo à forma do par dos tubérculos das plantas pertencentes ao género Orchis, o que levou a terem entrado nos receituários afrodisíacos. Por se tratar de um grupo taxonómico cosmopolita? Com efeito, está distribuído por todos os recantos da Terra, apresentando três linhas evolutivas distintas, ou seja, três famílias que terão evoluído de um ancestral comum. Ou, pelo facto de, além de serem dotadas de inúmeros aspectos curiosos, tantos que me não couberam aqui referir, as orquídeas apresentarem um número elevadíssimo de sementes, mas as mais pequenas do reino vegetal ( 0,5 mm de cumprimento e 10 microgramas de peso), e de produzirem o maior número de sementes? Um exemplo. Apenas: uma espécie tropical americana chega a produzir 37770000 sementes. Imagine-se! Um só pé de umas das espécies de orquídeas produz tantas sementes que, se todas germinassem, assim como as dos seus descendentes, cobririam toda a Terra em apenas 4 gerações. Mais. Por serem as plantas mais evoluídas de todos os tempos?
Para responder às perguntas que, atrás, formulei, limito-me a dizer que, talvez, tenham sido todos os aspectos referidos e os ocultos, por razões óbvias, os grânulos de pólen que, germinados, floriram no espaço deste escrito.
Dito isto, passo a falar apenas das orquídeas portuguesas em perigo de extinção, apesar de serem um pouco menos belas do que as tropicais. São 55 as espécies indígenas que existem em Portugal continental, como a que ilustra esta crónica, considerada rara ( duas delas endémicas), e cinco no arquipélago da Madeira, 3 das quais endémicas. Como a maioria das espécies prefere o solo calcário, a maior variedade encontra-se no Barrocal algarvio, na Serra da Arrábida, no centro Oeste Olisiponense e na Serra de Aire e Candeeiros. Gostaria de dedicar mais espaço a estas plantas, cuja beleza fascina e embriaga todos os sentidos, mas, como aquele me falta, salto, abrupta e desencantadamente, para a conclusão.
Urge, pois, e já, preservar as orquídeas lusitanas! « Além da sua beleza, têm ainda um papel importante. Podem ser utilizadas como indicadores do estado de saúde de um ecossistema.» Infelizmente, porém, tal como sucede com muitas outras espécies, este valioso património vegetal tem sido muito afectado pela destruição dos seus habitats: urbanização, novas técnicas agrícolas, exploração agrária intensiva e plantação de pinhais e eucaliptais, etc.« Em alguns casos, existem orquídeas abrangidas por áreas protegidas, mas nunca são objecto de conservação destas. Dá que pensar…»
Termino, nutrindo a esperança de que os responsáveis pela preservação do Ambiente tomem ( se ministro do Ambiente o elenco (des)governativo Satânico tem, ainda não tive o prazer de o descobrir) medidas urgentes, de modo a que estas belas plantas, excêntricas, sedutoras e sensuais continuem a fascinar as gerações vindouras.

Violeta Teixeira ( crónica publicada na TRIBUNA DA MARINHA GRANDE)

Fonte informativa: Ambiente 21, Setembro de 2004

Publicado por Violeta Teixeira em 22/05 às 04:50 PM
Categoria • Crónicas

A maravilha desta orquidácea merecia que fosse reproduzida artificialmente pois só assim poderá ser salva da extinção.

Comentado por  em  27/05  às  09:59 PM

isto esta uma merda

Comentado por  em  09/02  às  02:51 PM


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