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DESVIVE-SE

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Desvive-se,
No cubículo
Do puro vício.

Ora, fumando charuto,
Ora. bebendo cerveja ou licor,
Ora, comendo bombons,

Tudo compulsivo.

Com sabores
Sábios
Da «cannabis».

Forra-se, igualmente,
O vazio, com folhas
Em papel de cânhamo,
Poemas chineses
De há milénios, gravuras
De navegações, de cordas
E de mastros, de naufrágios.

Nas águas do ontem.

Passa, ali, os passos que
Se não consente
Dar na vida.

O fumo da «cannabis»
Sopra-lhe fulgurações
Originais,
Para o fundo
Do sem futuro.

Deixemo-la,
Decaída e desamada,
Possuída pelo vício vário,

Próxima e ausente
De si mesma,
Cosida com o NADA.

Violeta Teixeira. In LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 09/04 às 11:54 PM
Categoria • Poesia

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