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DESPEDAÇADO O NAVIO…

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Os céus, espicaçados
De medos, são chorões
Pingantes de ferrugens verdes,
Enchendo-me as barragens dos
Olhos, que te não vêem.

Náufragos «fanés»,
Bóiam-me nenúfares,
Nas bacias inavegáveis.

Esgarçam-se velas, esmigalham-se
Mastros, desfazem-se cordames.

Despedaçado o navio,
Diluiu-se o sonho
Do me navegas,
E velo, neste triste agora,
O destroço que me resto,
Deste dilúvio.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 17/01 às 12:57 AM
Categoria • Poesia

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