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DESEJO SÚBITO

Assalta-me, por vezes,
O desejo súbito
De roçar certos corpos
Com que vou cruzando,
Quando a noite vai
Descendo, assustada,
Sobre as artérias da cidade.

Consinto-me, sem
O mínimo pudor, esta
Animalidade. Consinto-me
O gozo das imagens que
Convoco para a descida
Da noite: olhos luzentes,
Corpos de felinos fulvos
E macios, mios lúbricos de
Fêmeas, nos corredores lunares.

Despenho-me do alto
Do desejo.
Despedaço-me, depois,
Na noite infecunda:
Poeira estelar,
Cinza absurda e nula.

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 08:23 AM
Categoria • Poesia

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