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DIA MUNDIAL DA ÁGUA

DA ESCASSEZ DO «OURO AZUL»
Sabemo-lo. As sociedades primevas plantaram-se, quer à borda de águas marítimas, quer nas margens dos rios. Assim, as primeiras grandes civilizações floresceram nas planícies dos grandes rios: Amarelo, Tigre, Eufrates, Nilo e Indo. Estas, as denominadas fluviais. As outras, banhadas pelo mares, as talassocráticas.
Vem esta introdução a propósito da escassez de água doce que, no hoje, se verifica na Terra. Eis por que passo, de imediato, a tecer um retalho da história do «ouro azul», «ouro», esse, que tem acompanhado as mais diversas etapas da vida da humanidade. Com efeito, os rios não só forneciam a água, os alimentos e a defesa natural. Além disso, eram as vias privilegiadas de navegação, para transporte de bens e de pessoas, e, também, vias de penetração em territórios a explorar.
A seca severa que assola a biosfera, trouxe-me à lembrança um artigo lido, há longos anos, num jornal francês, no qual se afirmava que a Terceira Guerra Mundial seria causada pela escassez do «ouro azul». Não estranhei, por isso, que, segundo dados actuais da ONU, dentro de 25 aos, mais de três milhões de pessoas vão ser atingidas pela falta de água. Por outro lado, tal como se previa há imensos anos, aquela falta já estar a ser apontada como a principal causa de conflitos e guerras num futuro próximo, o que constitui o maior problema deste século. Já em 1990, este líquido essencial à vida da Terra, afectava 300 milhões de habitantes.
Daí que este magno problema exija que sejam tomadas medidas urgentíssimas, já porque o ser humano pode suportar várias semanas sem ingerir alimentos sólidos, mas sem beber água falece ao fim de três dias, na medida em que todas as reacções químicas indispensáveis à vida verificam-se na presença da água.
No entanto, apesar da água ser abundante na média global, o homem não a obtém quando e onde quer, ou na forma desejável, pois mais de 97 por cento daquele precioso líquido é salgado e quase 2 por cento está sob a forma de gelo. Somos levados, tendo em conta o afirmado, a pensar que a que está disponível é suficiente, na medida em que cobre mais de 70 por cento da superfície da terra, o que representa um volume de cerca de 1400 milhões de km3. Estes números poderão fazer crer que a água existente chegará para satisfazer as necessidades do ser humano. Um olhar, todavia, mais atento chega à conclusão de que a maior parte da água não fornece condições de consumo. Ademais, as águas fluviais estão mal divididas, ou seja, de modo desproporcional . Senão, vejamos: mais de 40 por cento dos rios e lagos estão concentrados no Brasil, Rússia, Canadá, Estados- Unidos, China e Índia, enquanto que as outras zonas da superfície do planeta dispõe de exíguos recursos hídricos.
Ocorre, por imperativos vitais, perguntar o que se passa neste minúsculo rectângulo Hispânico. O Dia Mundial da Água foi assinalado, aqui, com cerca de 800 mil portugueses sem abastecimento domiciliário, e o nível das pouquíssimas barragens abaixo do normal, em consequência da seca que tem vindo a flagelar o nosso país. Mais exactamente, segundo dados recentes do Instituto Da Água, sofrendo de uma seca extrema de incompetências, a descida do volume de água armazenada nas albufeiras diminuiu em Janeiro, e ao período homólogo do ano transacto. Ainda que tenha havido num ou noutro curso de água algumas subidas, estas são muito pouco significativas. Em suma, as consequência da seca severa estendem-se a 85 por cento do nosso território continental.
Diante deste flagelo terrifiante, não me permito deixar de exprimir o meu protesto contra a ausência de uma política da água por parte dos vários desgovernos deste arremedo de país. Tão incompetentes, que se ajoelharam, como gesto de vassalagem humilhante, ao país vizinho, cuja política da água tem sido, a todos os títulos, notável.
Concluo, lembrando que o ano corrente marca o início da Década Internacional da Acção «Água Para A Vida», uma iniciativa internacional para fazer chegar água potável e saneamento às casas e escolas de todo o mundo.» Desiderato utópico?

Violeta Teixeira

Publicado por Violeta Teixeira em 22/03 às 10:30 AM
Categoria • Crónicas

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