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CURSO SINUOSO DOS MEUS VÍCIOS

PARA LOUCOS LÚCIDOS

Tenho sempre, por perto,
Velas, maços de cigarros, liamba e selos
E chocolates caros, não vá me acontecer,
A desoras, alguma crise compulsiva,
Debaixo do meu candeeiro contrafeito.

Por princípio, não contrario o curso
Sinuoso dos meus vícios, porque
Não gosto de louça quebrada, nem de árvores
Mortas nas alamedas dos meus desejos.

Mas, por vezes, confesso-vos, nada
Do que tenho sempre, por perto,
Me compensa da falta do perfume
Forte da hortelã-pimenta ou da pelagem
Fulva e acetinada do meu gato,
Quando se me evade pelas pontas
Tesas dos ramos da árvore das luas.

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 21/11 às 01:03 AM
Categoria • Poesia

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