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CREPUSCULA-SE-ME O DIA
Crepuscula-se -me o dia, sem
Riscas ruivas, sem novelos fulvos,
De nuvens, sem anúncios de
Astros, no firmamento.
Crepusculo-me, como sempre,
Na clausura do corpo, num
Desassossego de gritos,
Inaudíveis, de todos os sentidos.
Anseios lúcidos,
Enlouquecidos, asas frementes,
Voos desbussolados,
Esborrachados,
Contra as grades de uma cela,
Como pássaros cegos.
Quando me penso que
Desanoiteço,
Pela alvorada,
Crepusculo-me, de novo,
E deixo-me
Colada ao não me levanto,
Segura que,
Nula e absurda,
Não há, para a vida,
Recomeço.
Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 06/10 às 12:47 AM
Categoria • Poesia •
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