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CANTO DORIDO
Alvoroço de pássaros,
Pulsando augúrios, soltando penas,
Debicando o coração do poema.
Dói-me.
Mordo-me os dedos
E os lábios. Lavram-se
De sangue.
Debalde, sossego o medo
Dos presságios,
Nas veias dos versos,
Que se me vão desaguando,
No leito de uma voz rebelde.
Arranco, com requinte
Cruel, as cabeças dos pássaros,
Enquanto como chocolate
Preto, amargo, intenso.
O coração liberta-se.
Pulsa num colchão de penas
E de penugens, levíssimas
E macias.
E eu, em breve, desembarco,
Na foz límpida e sofrida
Do meu canto.
Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 06/08 às 02:34 PM
Categoria • Poesia •
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