§ Comentários:


CANTO DORIDO

http://www.luso-poemas.net

Alvoroço de pássaros,
Pulsando augúrios, soltando penas,
Debicando o coração do poema.

Dói-me.
Mordo-me os dedos
E os lábios. Lavram-se
De sangue.
Debalde, sossego o medo
Dos presságios,
Nas veias dos versos,
Que se me vão desaguando,
No leito de uma voz rebelde.

Arranco, com requinte
Cruel, as cabeças dos pássaros,
Enquanto como chocolate
Preto, amargo, intenso.

O coração liberta-se.
Pulsa num colchão de penas
E de penugens, levíssimas
E macias.

E eu, em breve, desembarco,
Na foz límpida e sofrida
Do meu canto.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 06/08 às 02:34 PM
Categoria • Poesia

Não existem comentários.

Nome:

Email:

Localização:

URL:

Ícones Expressivos

Recordar a minha informação pessoal

Notificar-me em caso de comentário?

Submeta a palavra que vê em baixo:


Seguinte: HÁ 63 ANOS

Anterior: O TEMPO

Voltar