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CANTO A EMBRIAGUEZ LÚCIDA
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Canto a embriaguez de todos os meus sentidos,
Com a extrema lucidez de quem deu por findo
O sentido de levantar voo do solo da aridez
Do desafecto. De quem se não permite o ser
Uma peça de xadrez, num tabuleiro, falsamente,
Verde. Canto a embriaguez dos gestos cínicos
Dos que jogam, eximiamente, e se julgam sempre
Vencedores, iludidos por lances, como se fossem
Homólogos da malvadez dos polvos, convictos
De que todas as águas são turvas, e cegos os olhos
Luzentes de outros, que, lucidamente, se apagam,
Vendo o jogo, com límpida nitidez. Canto o descalabro
Dos recantos obscuros da mente dos fracassados
Ignaros. Canto! Canto, porque não me sento à mesa
Da mesquinhez do jogo de xadrez. Canto, porque me
Sinto ilesa, imune, lúcida, pura e perversa, mas todos
Estes semas, têm, aqui, no poema, como na vida,
Nuances semânticas que vêm da vivência dos que
Navegam na transparência da seda genuína dos bichos
Que a fabricam, sem fios falsos. Canto-me, lúcida.
Canto-me, nesta hora suprema, da despedida do
Palco do teatro, onde sempre fui única e íntegra.
Não se levantem da mesa de xadrez! Façam o vosso
Jogo! Eu nunca me sentei nessa mesa! Dispenso, por isso,
O avesso das vossas vestes de hipócritas. Sou lúcida!
Violeta Teixeira, inédito- 16.05-2008
Publicado por Violeta Teixeira em 16/05 às 10:52 PM
Categoria • Poesia •
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