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CANTO

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Canto a cegonha-negra, o abutre-do-Egipto,
O corvo-marinho-de -faces- brancas,
O bufo-real, a águia-real, a águia de Bonelli,
O grifo, o papa-figos. Canto, em suma, uma
Avifauna especial, que me sobrevoa os neurónios,
Quando as insónias se instalam nos lençóis da
Noite, estilhaça-me a clepsidra , põe-me a reler
Os Pessanha, os Baudelaire, e a inalar os fumos do ópio
Do tempo em que os poetas tertuliavam nos fumoirs..

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Edições Magno, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 09/05 às 05:03 PM
Categoria • Poesia

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