§ Comentários:


BÚZIO FÊMEA FERIDO

Ouço-os.

Uivos azuis arranhados,
Na garganta do tempo
Invivido.

Guinchos nas fracturas
Expostas
Do pensamento.

Gritos, com espinhos
Verdes, no ventre
Do desejo aceso.

Relinchos rubros,
Nos lábios de uma boca,
Que sangra
Desencontros.

Suspiros ruivos,
De raiva, nos sulcos
Fundos e doridos,
De uma vida
Empapada de malogros.

Gemidos gélidos,
Nas artérias da sintaxe.
Magoados. Tristes.
Insubmissos.

Marulhares ásperos,
Ácidos, na veias
De abrunheiros - bravos,
Derrubados.

Longo e grosso crepitar
Na lenha da lareira,
Soprado pelo vento
Do desconcerto.

Bramido do mar irado,
Na carne rósea
De um búzio fêmea. 

Ferido.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 27/11 às 05:39 PM
Categoria • Poesia

Há uma beleza invulgar, um misto de fantasia e mistério. Noto também a dor, algo que irrompe da alma. Exelente poesia. Gostei muito.
Bethus.

Comentado por  em  08/12  às  02:30 PM

Os meus agradecimentos pela visita a este espaço desamado, e pelo amável comentário.

Abraço, com corpo (?) dentro,

Violeta(s)

Comentado por Violeta Teixeira  em  08/12  às  04:44 PM


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