§ Comentários:
BIODIVERSIDADE:LINCE IBÉRICO
Lince Ibérico (Lynx pardina Termminck)
PORTUGAL: BIODIVERSIDADE IV
Começarei por informar o leitor, amante da Natureza, como esta escrevente, autodidacta «verde», que me não será possível dedicar, aqui, um espaço a todas as 136 espécies em vias de extinção neste pedaço de terra hispânica. Terra, essa, entregue, politicamente, a uma «bicharada», sofrendo de iliteracia ecológica ( e não só neste domínio). Direi, tão- somente, que gostaria de fazê-lo, não apenas porque cumpriria um rito do culto que presto à Mãe- Natureza, como não sujaria as mãos na lixeira nauseabunda do poder central e do local.
Felizmente, no solo do meu monitor, o lince ibérico uiva um SOS Vida, e nenhuma personagem despótica, como se comportou a dama Isabel Damasceno, relativamente ao lobo ibérico, como o leitor bem se lembra, silenciou o seu apelo uivante. Ei-lo, por conseguinte, com belos bigodes e olhos hipnóticos, exibindo-se no cabeçalho deste escrito.
Que se sabe deste único grande mamífero endémico da Península Ibérica? ( quanto ao lince de outras paragens, é, segundo a União Internacional Da Conservação da Natureza, a espécie mais ameaçada). Nos anos 80 estimava-se a existência de apenas 50 indivíduos em território nacional, distribuído pelas áreas da Serra da Malcata, Vale do Sado, Contenda-Barrancos e serras do Algarve. Depois, porém, até há pouco tempo, este belo felídeo foi dado como extinguido em Portugal. Como? Por que motivos? Aqueles habitats naturais, de matagal mediterrâneo, foram destruídos pela plantação de espécies florestais não indígenas, como pinheiros e eucaliptos, e por incêndios, além da extinção, pelas mesmas causas, dos coelhos-bravos, o único alimento daquele felídeo. Com a destruição do ecossistema natural, ao qual sempre tinha estado habituado, o lince, apesar de faminto, não se adaptou, encontrando um recurso alimentar alternativo. Assim sendo, pagou caro a sua história evolutiva, que se traduzia numa elevada especialização em termos de habitat, o matagal mediterrâneo, como, acima, foi dito.
Recentemente, todavia, foi possível confirmar a existência daquela «jóia» da fauna ibérica, ainda que a procura tivesse sido idêntica à de uma agulha num palheiro. Como foi, então, possível aquela confirmação? Graças aos avanços tecnológicos no domínio da biologia molecular que permitem a identificação de uma espécie a partir do ADN extraído de amostras fecais, vários investigadores dedicaram-se à procura de excrementos do lince ibérico, numa determinada área de estudo, e, sem que tivessem visto o animal, não hesitaram, após a análise das referidas amostras, em gritar «Eureka!»
Confirmada que foi, deste modo, a existência do nosso felino, renasceu a esperança de que ainda se vai a tempo de salvaguardar uma das espécies, dada como extinta na biosfera lusa, a espécie, acrescente-se, mais emblemática do nosso património natural.
Mas, dado o desprezo a que é votado o Ambiente pelos nossos desgovenantes e do desconhecimento dos efeitos nefastos dos desequilíbrios ecológicos, pela maioria dos cidadãos, receio que esta espécie designada de lince ibérico, lobo Cercal, liberne ou gato cravo, pelos habitantes das áreas do seus habitats seculares, não volte a habitar serras e planícies deste esgarçado país, no qual a arte mais praticada é a do remendo. Sim! Amante de todas as espécies da flora e da fauna, e, muito especialmente, de felídeos, receio, repito, que o nosso belíssimo lince não venha a ser contemplado pelas gerações a vir.
SOS Vida do Lince Ibérico! Prossigam-se as investigações! Medidas urgentes precisam-se! Empenhemo-nos todos, e sem perda de tempo, em contribuir para a conservação, no nosso cofre natural, da «jóia» da fauna ibérica! Saia do nevoeiro denso e negro um iluminado ministro do Ambiente! «É a hora!»
Violeta Teixeira
Poetisa
Nota: envio duas imagens, na esperança de que uma delas tenha qualidade. Agradeço que me seja comunicado se nenhuma o tiver. Arranjarei outra.
Nota: crónica publicada no semanário TRIBUNA da Marinha Grande, há vários anos. Lamento, mas não indiquei a data no ficheiro, e procurar o recorte lavar-me-ia muito tempo.
Publicado por Violeta Teixeira em 05/11 às 01:30 PM
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e bastante horroroso
Comentado por em 13/02 às 05:47 PM