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AURORA ÉBRIA E EFÉMERA

Registo fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora-olhares.com

Um astro
Aninhou-se, ardente
E clandestino,
No forro do imprevisível.

Deixá-lo cintilante,
Febril e fascinado
Pelo impossível.

Deixá-lo ser a voz
Do sangue, risco e perigo.

Deixá-lo ser subtil
E obstinado,
Na epiderme das palavras
Que não digo.

Deixá-lo abrasar-me:
Lenha, vinho, odor sacrílego
E límpido, fluindo
Nas veias do gozo e do gemido.

Deixá-lo pulsar-me,
No seu nicho rosáceo:
Aurora ébria e efémera.

Deixá-lo…
Deixará de ser
Chuva de luz,
Chuva de sémen,
Quando deixar
Um travo feliz e acídulo na boca.

Falará, então, o corpo da poesia,
De um cálice pleno
De uma memória louca,
De um astro ou de um coração,
Que já não luzia.

Deixá-lo ser-me o amor da vida.
Deixá-lo ser-me o amor da morte.

Violeta Teixeira, inédito (ROSAS DE JERICHÓ)

Publicado por Violeta Teixeira em 29/01 às 02:45 AM
Categoria • Poesia

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