§ Comentários:
APERTO AS MINHAS MÃOS
Toco-me, logo existo.
É, por isso, que, quando
A solidão lavra
A acta da desistência,
Ainda aperto com força
Inusitada
As minhas próprias mãos,
E lanço em redor
Dos dedos um olhar
Seco e surpreso.
Mas, ao desapertar, depois,
As mãos, dentro
De cada cova arroxeada,
Em rigor não há nada,
Salvo uma voz cósmica,
Elegíaca e fria,
Ecoando
Nas veias do poema.
Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, 1999
Publicado por Violeta Teixeira em 16/06 às 11:29 PM
Categoria • Poesia •
Meu querido SensuaLobo, não sei o como te agradecer o modo como desnudas o EU poético, um eu feminino, orfão de afectos, e, por isso, sempre à borda da desistência, mas que não consegue dar o último passo. Por que motivo? Não sabe. Sente, creio, apenas, como todo o ser humano, a esperança de se eternizar. No caso vertente, nas raízes da escrita. Serão essas raízes que a prendem à existência? Ignora-o. Ou… Que sabe aquele eu do que não sabe? Um eu bipolar? Talvez.
Obrigada, Fernando,porque, mais um vez, produziste um poema. Estarei eu nele? Não sei.
Comentado por Violeta Teixeira em 17/06 às 05:00 PM
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A poesia desta mulher, na qual incluio, este poema, é uma poesia que canta a indiferença do outro, contudo, sem conceder a desistência aquela. Pois, é uma poesia que ao invés de desistir, luta abnegadamente por sobreviver, ao vazio do outro,e digamos, que o resultado final, é um grito de esperança.
À laia de conclusão, é um poema que faz justiça à bela poesia que sai da pena desta poetisa.
SensualLobo
Comentado por em 17/06 às 04:32 PM