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AMO-AS, ÀS PEDRAS

Amo-as, às pedras!

Viagens versáteis
De rochas!

Sedimentares
Magmáticas,
Metamórficas, sabem-me
A água, a terra, a ar, a fogo,
A tempo, coalhado de frutos,
Carnudo e maduro.

Aventura atómica indolor
Nas carnes milenares!
Humidades e brasidos múrmuros!

Sedutoras, deitam-se-me
Sobre o ócio diletante,
E desfibram morfologias
Sintaxes e semânticas,
Ao sabor da sede do meu Verbum.

Amo-as, às pedras!
Versáteis!

São uma poética de luxo
Raro e de fascínio doloroso
E obscuro!

É o basalto que me embala.
É o mármore que me grava
Epitáfios breves e brancos.
É o xisto luzente o êxito da álgebra.
É o granito que me excita,
Sobre lajes lisas e indóceis.
É o calcário que me lambe, nas
Águas agitadas, a saliva dos dias.

In Violeta Teixeira, LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 08/07 às 11:24 PM
Categoria • Poesia

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