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AMANHECE

Amanhece.
Se faz luz, porém,
Não sei.

Nem um veio
Se me infiltra
Na retina.

Mas, se se infiltrasse?
Que diferença faria?

Gorjeios infantis
Esvoaçam alegria
Sobre os lençóis
De um tempo bolorento.

Todavia, amanhece,
Como sempre,
A consciência nítida
E fria de uma fêmea
Estranha: única sobrevivente
Infeliz do Universo.

Violeta Teixeira, inédito ( BOLORES DE SUSÊNCIAS)

Publicado por Violeta Teixeira em 05/11 às 11:33 AM
Categoria • Poesia

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