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ACTO DE FÉ TERRENO E ESTÉTICO
Vou cavando a terra, de modo
A ver, em redor dos troncos moços
Dos loureiros, lagos fundos e redondos.
Rasgam-se-me os pulsos, e, gota a gota,
Desaguam, quase em silêncio místico,
Sangue vivo e denso e tenso, nas três covas ocre,
Como se fossem bocas sequíssimas de monstros.
Curvo-me, bêbada de seiva vermelha,
E lambo-me, nos lagos, as mãos de terra,
Os salpicos secos do rosto, as mangas do alvoroço.
Ergo-me, então, forte e delirante, quase em êxtase, e
Mergulho os pés, na terra encharcada do sangue das minhas
Mesmas veias, num acto de fé terreno e estético, À única
Crença una que possuo: « na poesia, no amor, na morte».
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003
Publicado por Violeta Teixeira em 05/07 às 11:47 PM
Categoria • Poesia •
O meu agradecimento comovido à tua visita e ao teu excelente comentário. O dizer-se «gostei»; «é lindo», etc., etc., etc., é-me o mesmo que não me dizerem nada. Abomino banalidades e lugares-comuns. Eis porque ando desmotivada e sem vontade de continuar. Obrigada, meu querido bloguista e amigo pelo incentivo que me deste. A maioria dos visitantes sofrem de ileteracia poética.
E, quanto a venda dos meus cinco livros, é melhor nem falarmos disso. Só estou a ser reconhecida no estrangeiro.
Já agora, aproveito para te comunicar que comecei a dedicar-me à fotografia. Mas, estou a usar telemóvel, donde resulta má definição. Um dos dois filhos, com dois cursos de fotografia artística, ainda não arranjou tempo para me compar uma máquina digital.
Tomo a liberdade de te indicar o enderço da galeria on-line onde tenho publocadas 5 fotos medócres ( deves conhecê-la): http://www.olhares.com
Um beijo, sabendo ao que mais apreciares,
Violeta
Comentado por Violeta Teixeira em 08/07 às 12:18 AM
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Enganados aqueles que pensam que muitos comentários são sinónimos de qualidade, pura mentira. E este Blog é disso um exemplo.
Creio que (na minha modesta opinião) a justificação para não haver neste sitio (Blog) mais comentários, não é o facto de o mesmo não ter interesse, é sim por o seu conteúdo ser de elevado grau (no que toca á arte de saber escrever poesia) e isso não está ao alcance da grande maioria dos blogueiros, que na sua mediocridade preferem ignorar ou não ler, para não terem que puxar pela cabeça para fazerem um comentário á altura do post em questão (embora isso seja preferível do que deixar apenas a mensagem: estive aqui, ou passei para deixar um beijinho, ou ainda adorei e um bfs, ignorando completamente o que está escrito).
Tiro o meu chapéu ao vasto conteúdo já publicado neste Blog, rico sobretudo em provocar emoções, mas também rico em nos fazer descobrir novas formas de comunicar e de nos levar a [re]apaixonar-mos pela beleza das palavras.
Deixo um louvor, á sua autora. Por mim confesso que desaguo com assiduidade neste mar de poesia em silêncio e talvez por pertencer à mesma classe da maioria dos blogueiros, também nunca deixo rasto.
À poetisa o meu bem-haja.
Comentado por em 07/07 às 10:17 PM