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ABERTURA DE UM MUSEU EM ALMODÔVAR


Património: Museu abre sábado em Almodôvar para desvendar achados com a mais antiga escrita da Península Ibérica
28 de Setembro de 2007, 11:33
Almodôvar, Beja, 28 Set (Lusa) - Uma estela funerária com uma das maiores inscrições da escrita tartéssica é um dos “tesouros” do museu que abre sábado na vila alentejana de Almodôvar, para desvendar achados epigrafados com a mais antiga escrita da Península Ibérica.
O Museu da Escrita do Sudoeste, (como também é conhecida a escrita tartéssica), criado pela autarquia local no edifício do antigo Cine-Teatro Municipal, em pleno centro histórico de Almodôvar, abre às 15:00.
No âmbito das Jornadas Europeia do Património, a decorrerem este fim-de-semana, o museu vai estar aberto também no domingo, voltando a encerrar até ao dia da inauguração oficial, ainda sem data marcada.
O arqueólogo e coordenador científico do projecto, Amílcar Guerra, explicou à agência Lusa que o núcleo museológico vai “expor alguns dos mais importantes achados arqueológicos epigrafados com caracteres da Escrita do Sudoeste”.
Trata-se, sobretudo, de estelas funerárias, ou seja, colunas tumulares em pedra de xisto, nas quais os antigos faziam inscrições e eram colocadas ao alto nas sepulturas.
A instalação do museu em Almodôvar, segundo o arqueólogo, justifica-se “plenamente”, porque este concelho “é uma das áreas da Península Ibérica com uma das maiores e das mais importantes concentrações” daqueles achados.
O museu, que vai abrir com 20 peças, inclui um espólio permanente de 16 estelas achadas no núcleo arqueológico de Almodôvar.
Este espólio, acrescentou, “deverá ser variado com a exposição de outras estelas descobertas fora do núcleo de Almodôvar, que são também muito interessantes e diversificadas”.
As 16 estelas epigrafadas com Escrita do Sudoeste achadas no concelho de Almodôvar fazem parte das 75 estelas descobertas em território português e de um total de 90 conhecidas na Península Ibérica.
Entre o espólio inicial do museu, Amílcar Guerra destacou a Estela de São Martinho, achada no sítio arqueológico com o mesmo nome na freguesia de São Marcos da Serra, no concelho algarvio de Silves.
“É uma estela notável, não apenas pelas suas dimensões, mas especialmente pela extensão do seu texto, com cerca de 60 signos identificados, o que permite considerá-la uma das inscrições mais extensas de escrita tartéssica”, precisou.
Em termos de interesse científico, o arqueólogo destacou ainda a Estela da Abóbada, achada no sítio arqueológico com o mesmo nome na freguesia de Gomes Aires, em Almodôvar.
“É uma estela particularmente interessante e fora do comum por ser uma das poucas com figuras”, salientou, frisando tratar-se de “um exemplo ilustrativo do interesse da escrita tartéssica”.
A Escrita do Sudoeste ou Tartéssica, da I Idade do Ferro no Sul de Espanha e Portugal, foi desenvolvida pelos Tartessos, o nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização do Ocidente, que se terá desenvolvido nas zonas das actuais regiões da Andaluzia espanhola e Baixo Alentejo e Algarve.
A escrita dos Tartessos, que tiveram influências culturais de Egípcios e Fenícios, explicou Amílcar Guerra, “é distinta das dos povos vizinhos, complexa e permanece indecifrável até à actualidade”.
LL.

Lusa/Fim

Publicado por Violeta Teixeira em 28/09 às 11:35 AM
Categoria • Citações

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