§ Comentários:


A VIDA DO ARTISTA

«Embora o artista em todos os períodos da sua vida permaneça mais próximo da infância, para não dizer mais fiel do que o homem especializado na realidade prática, muito embora se possa afirmar que ele, ao contrário deste último se mantém continuamente no estado sonhador e puramente humano da criança brincalhona, o caminho que transpõe a partir dos primórdios intactos até às fases tardias, jamais imaginadas do seu devir, é infinitamente mais longo, mais aventuroso, mais emocionante para o espectador, do que o do homem burguês, para o qual a reminiscência de também ter sido criança em outros tempos nunca fica tão prenhe de lágrimas.»

Thomas Mann, in ‘Doutor Fausto’


«Thomas Mann (6 de Junho de 1875 - 12 de Agosto de 1955) foi um romancista alemão, considerado por alguns como um dos maiores romancistas do século XX, tendo recebido o prémio Nobel da Literatura em 1929. Foi o irmão mais novo do romancista Heinrich Mann e o pai de Klaus, Erika, Golo (aliás Angelus Gottfried Thomas), Monika, Elisabeth e Michael Mann.
Notas Biográficas
Filho do comerciante Johann Heinrich Mann e da brasileira Júlia da Silva Bruhns, nasceu em Lübeck, uma cidade do norte da Alemanha, onde mais de 90% da população é protestante. A família de Thomas Mann detinha ali um negócio há várias gerações.

Em 1892 (quando tinha 17 anos) morre o seu pai, com o que os negócios da família são abandonados. No ano seguinte, ele escreve alguns textos em prosa e artigos para a revista “Der Frühlingssturm” (a tempestade de Primavera) que ele co-edita. Na mesma época, apaixona-se por Wilri Timppe, filho de um de seus professores. Anos mais tarde, inspiraria-se em Timppe para criar Pribslav Hippe, personagem de “A Montanha Mágica”.
Em 1894 (com 19 anos), junta-se à mãe em Munique, cidade católica do sul da Alemanha. Júlia tinha mudado para Munique com o resto da família um ano antes e se instalado no bairro boêmio de Schwabing. Rapidamente, a Senhora Secretário de Estado Mann tornou-se uma agitadora cultural e oferecia saraus literários e festas em sua casa.
Em Munique, Mann fez um estágio não remunerado numa sociedade de seguros, mas acabou por abandonar esta atividade em 1895, tornando-se escritor livre.
Entre 1896 e 1898, Thomas Mann tem uma longa visita a Palestrina, Itália, de visita ao seu irmão mais velho Heinrich Mann, também ele um romancista e que se tornou famoso mais cedo do que Thomas. Thomas acompanha o irmão nos seus passeios a Roma e por outros lugares da Itália. Thomas Mann começou a trabalhar no manuscrito de “Buddenbrooks” em Itália. De volta a Munique, tornou-se um dos editores do jornal satírico-humorístico “Simplicissimus”.
Por essa época, apaixonou-se por Paul Ehrenberg, um amor conturbado e não correspondido, mas que definiria mais tarde como a “experiência central de seu coração”. Resolve servir o exército, mas se arrepende. A família intervém e corrompe um médico para conseguir afastá-lo por falsos problemas de saúde.
Em 1901 é editado “Buddenbrooks”. Thomas Mann torna-se famoso. Curiosamente, o editor (Fischer Verlag) tentou convencer Thomas Mann a encurtar o livro. Thomas Mann não assentiu e o livro foi publicado na íntegra. Em jeito de retrospectiva, Thomas Mann disse que julgava que o livro iria passar despercebido e seria possivelmente o fim da sua carreira literária. A realidade foi bem diferente, como ele conclui com ironia.
A 11 de Fevereiro de 1905, casou-se com Katia Pringsheim, pertencente a uma proeminente e secular família judia de intelectuais. Katia era neta da activista pelos direitos da mulher Hedwig Dohm. Nos anos seguintes nascem seus filhos Erika, Klaus, Golo (na verdade Angelus Gottfried Thomas), Monika, Elisabeth e Michael.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Thomas Mann entra em conflito com o irmão Heinrich Mann. Não se irão encontrar por alguns anos. Thomas acolheu com agrado a entrada da Alemanha na guerra. Tomava-se por patriota. Defendeu a política do Kaiser Guilherme II, em oposição directa a Heinrich Mann, que se via do lado da França e da “Civilization” (termo de Thomas). Thomas Mann chegou mesmo a penhorar a casa que possuia em Bad Tölz em 1917 a favor do esforço de guerra. A mãe, Júlia da Silva Bruhns, escreveu aos irmãos tentando amenizar o conflito. A perspectiva de Thomas Mann ao longo deste período encontra-se sumarizada no romance “A montanha mágica”, escrito entre 1912 e 1924.
Em 1929, Thomas Mann torna-se ainda mais famoso, ganhando o prémio Nobel da Literatura. O juri justifica-se aludindo a Buddenbrooks. Nenhuma menção a “A montanha mágica”, romance em que o escritor revela simpatias democráticas.
Emigrou da Alemanha Nazista para Küsnacht, próximo a Zurique, Suíça, em 1933, o ano da chegada ao poder de Hitler. Durante o regime nazista, o jornal Völkischer Beobachter (Observador Popular) publicava as chamadas listas de expatriados. Os nomes de Thomas Mann, sua mulher e seus filhos mais novos constavam da lista número 7. Dos mais velhos – Erika e Klaus – já havia sido retirada a cidadania alemã.
Após ter perdido a nacionalidade alemã a 2 de dezembro de 1936, Thomas Mann permaneceu na Suíça até 1938, mudando-se então para os Estados Unidos. Inicialmente, trabalha como convidado em Princeton, mas o ambiente acadêmico o entediava. Assim, decide mudar para Pacific Palisades, California, EUA, em 1941. Em 1944, obteve a cidadania americana. Tornou-se uma figura política reconhecida e consta que Roosevelt chegou a cotar seu nome para assumir o governo alemão no pós-Guerra.
Diante da perseguição aos intelectuais emigrados impetrada em meio ao MacCarthismo, Mann retornou à Europa em 1952. Viveu em Kilchberg, próximo a Zurique, na Suíça, até à sua morte, em 1955.

A obra de Thomas Mann


Thomas Mann ganhou repercussão internacional, aos 26 anos, com sua primeira obra, Os Buddenbrooks (Buddenbrooks), um romance que conta a história de uma família protestante de comerciantes de cereais de Lübeck ao longo de três gerações. Fortemente inspirado na história sua própria família, o romance foi lido com especial interesse pelos leitores de Lübeck que descobriram ali muitos traços de personalidades conhecidas. A publicação deste livro valeu a Thomas Mann uma reprimenda de um tio, que o acusou de ser um “pássaro que emporcalhou o próprio ninho”.
Thomas Mann é também um romancista analítico, que descreve como poucos a tensão entre o carácter nórdico, protestante, frio e ascético (características típicas da sua Lübeck natal) e os personagens mais rústicos, simples, bonacheirões, das zonas católicas, de onde se destaca o senhor “Permaneder”, o paradigma do Bávaro de Munique, em “Os Buddenbrooks”. Esta tensão interior tornou-se-lhe patente durante a sua estadia em Palestrina, Itália, onde visitava o irmão, e onde começou a escrever os “Buddenbrooks”. Thomas Mann viveu entre estes dois mundos, tal como o irmão. Por um lado a origem familiar e o ambiente da ética protestante de Lübeck, por outro lado a voz interior e a influência de sua mãe brasileira, que o faziam interessar-se menos pelos negócios e mais pela literatura. A influência da mãe acabou por levar a melhor. Thomas Mann via na família Buddenbrook um exemplo de uma família em decadência, onde os descendentes não saberiam levar avante o negócio que herdaram. Não sabia, no entanto, que, ao publicar “Os Buddenbrooks” estava, não só a enterrar definitivamente a linha “comerciante” da sua família mas, também, a estabelecer-se como um escritor de renome. Ironicamente, os seus filhos iriam manter esta nova tradição (literária) da família, em especial Klaus e Erika.
No romance A Montanha Mágica ("Der Zauberberg"), publicado pela primeira vez em 1924, Thomas Mann faz um retrato de uma Europa em ebulição, no eclodir da Primeira Guerra Mundial.
Escreveu romances, ensaios e contos. Psicólogo penetrante e estilista consumado, sua extensa obra abrange desde contos até escritos políticos, passando por novelas e ensaios. Nobel de Literatura (atribuído pel’ Os Buddenbrooks), em 1929, Thomas Mann é autor de clássicos da literatura como Morte em Veneza & Tonio Kröger, Confissões do impostor Felix Krull, As cabeças trocadas e José e seus irmãos.
Muitos dos seus romances lidam com a tensão entre a veia artística, rebelde e funesta por um lado, e a boa-cidadania, cumpridora da lei, das tradições e bons costumes.»
Sinopse Bibliográfica
• Der kleine Herr Friedemann (1898)
• Os Buddenbrooks (1901) = Buddenbrooks - Verfall einer Familie
• Tonio Kröger (1903)
• Sua Alteza Real (1909) = Königliche Hoheit
• Morte em Veneza (1912) = Der Tod in Venedig
• Betrachtungen eines Unpolitischen (1918)
• The German Republic (1922) = Von deutscher Republik
• A Montanha Mágica (1924) = Der Zauberberg
• Disorder and Early Sorrow (1926) = Unordnung und frühes Leid
• Mario und der Zauberer (1930)
• José e seus Irmãos (1933-43) = Joseph und seine Brüder
o As Histórias de Jacó (1933)
o O Jovem José (1934)
o José no Egito (1936)
o José, o Provedor (1943)
• Das Problem der Freiheit (1937)
• Lotte in Weimar or The Beloved Returns (1939)
• As Cabeças Trocadas (1940) = Die vertauschten Köpfe - Eine indische Legende
• Doutor Fausto (1947) = Doktor Faustus
• Der Erwählte (1951)
• Confissões do Impostor Félix Krull (1922/1954) = Bekenntnisse des Hochstaplers Felix Krull. Der Memoiren erster Teil (não terminado)

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 30/04 às 02:59 PM
Categoria • Reflexões

Não existem comentários.

Nome:

Email:

Localização:

URL:

Ícones Expressivos

Recordar a minha informação pessoal

Notificar-me em caso de comentário?

Submeta a palavra que vê em baixo:


Seguinte: DEI-ME A BEBER

Anterior: CÂNTICO DOS CÂNTICOS

Voltar