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«A TIRANIA INDIVIDUAL E A TIRANIA COLECTIVA»

A Tirania Individual e a Tirania Colectiva

«As divergências de opinião não resultam, como por vezes supomos, das desigualdades de instrução daqueles que as manifestam. Elas notam-se, com efeito, em indivíduos dotados de inteligência e de instrução equivalentes. Disso se convencerá quem percorrer as respostas aos grandes inquéritos colectivos destinados a elucidar certas questões bem definidas.
Entre os inúmeros exemplos fornecidos pela leitura das suas actas, mencionarei apenas um, muito típico, publicado nos Anais de Psicologia do sr. Binet. Querendo informar-se quanto aos efeitos da redução do programa de história da filosofia nos liceus, enviou um questionário a todos os professores incumbidos desse ensino. As respostas foram nitidamente contraditórias, pois uns declaravam desastroso o que os outros julgavam excelente. «Não se compreende», conclui o Sr. Binet com melancolia, «que uma reforma que consterna um professor, pareça excelente a um dos seus colegas. Que lição para eles sobre a relatividade das opiniões humanas, mesmo entre pessoas competentes!».
Contradições da mesma espécie invariavelmente se manifestaram em todos os assuntos e em todos os tempos. Para chegar à acção, o homem teve, entretanto, de escolher entre essas opiniões contrárias. Como operar tal escolha, sendo a razão muito fraca para a determinar?
Somente dois métodos foram descobertos até hoje: aceitar a opinião da maioria ou a de um único, escolhido como mestre. Desses dois métodos decorrem todos os regimes políticos.
Poucos votos de maioria, ou mesmo uma maioria considerável, obtida por uma opinião, não a tornará, certamente, superior à opinião contrária. Um juízo isolado, imposto obrigatoriamente, não será também sempre o melhor. A escolha de um ou outro método é, contudo, necessária para sairmos das indecisões que são contrárias à verdade de agir. Os próprios filósofos não têm conseguido descobrir outro processo.
As opiniões de um espírito eminente são, em geral, muito superiores ao juízo de uma colectividade, mas, se o espírito não for eminente, as suas decisões poderão ser muito perigosas. A história da Alemanha e a da França nestes últimos cinqüenta anos fornece numerosas provas das vantagens inconvenientes destes dois métodos: a tirania individual e a tirania colectiva.»

Gustave Le Bon, in ‘As Opiniões e as Crenças’

«Gustave Le Bon (7 de maio de 1841 a 13 de dezembro de 1931) foi um psicólogo francês. Foi o fundador da Psicologia Social.
Escreveu inúmeras obras. dentre as quais se destacam: A psicologia das multidões, A psicologia do socialismo, A psicologia das revoluções.
Apresentamos um dos grandes trabalhos: As opiniões e as crenças. Dificilmente se poderia estudar temas como: teoria do conhecimento, ideologia, religiões, superstições, comportamento das massas, propaganda, persuasão sem estudar e se apoiar em Le Bon.
Em As opiniões e as crenças, depois de discutir os recursos metodológicos de análise da Psicologia, Le Bon explica o papel do prazer e da dor, para então avaliar as características do consciente e inconsciente. De forma brilhante, apresenta as várias formas de lógica: biológica, afetiva, coletiva, mística e racional.
Dai em diante, passa a analisar as opiniões e crenças, sua gênese, desenvolvimento, transformação, propagação. Não deixa de discutir a morte das crenças.»

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 29/01 às 01:30 AM
Categoria • Reflexões

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