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A PROSTITUTA

Arturo Martini, La prostituta
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Tombou pela vida abaixo,
Da desgraça, rota
E miseranda, a prostituta.
Gastou-se o corpo e a alma,
Na cama de imundos,
Sado - masoquistas,
Assassinos, evadidos
Das prisões, com armas
Nos bolsos das calças,
Unhas enormes, sujas, que lhe
Faziam arranhões nos lábios
E na vagina, como meio vil
Dissuasor para a porem na rua, sem
O pagamento do serviço do desamor.

Levanta-se, a custo, de manhã
Muito cedo, das escadas, onde desdorme
As noites, para não ser vista
Naquele estado medonho, de desmazelo.

Afasta-se, cosida aos muros,
E oculta-se no meio da névoa
Da multidão do Metro,
Onde mastiga o nada das horas,
Como mendiga, com a cabeça
Curvada, não lhe vão ver o rosto,
Pôr-se dentro dos olhos,
E violá-la, à sua alma.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 28/02 às 05:24 AM
Categoria • Poesia

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