§ Comentários:
A LUA CHEIA…
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Vertigens incrivelmente brancas
Eriçam-lhe as crinas de uma
Demência indomável.
Novelos cinzentos de nuvens
Galopam velozes os penhascos
Da sua psicose impositiva.
A lua cheia, emergente, afoga-se
No açude dos seus olhos, donde
Desagua, moribundo, um cardume
De escamas de um rubro arrogante.
Sucumbe contra a sebe de pedra
De uma pastagem de luzerna, sem
Se dar conta que, na sua presença,
Ali, ao lado, a noite apascenta
Um rebanho aloirado de astros.
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003
Publicado por Violeta Teixeira em 13/05 às 04:06 PM
Categoria • Poesia •
A madrugada vai alta, longa, pesada de solidão e desistência. Quem sabe quanto mata a solidão? Sim! Cavalo selvagem, mas indomável. Quisera ter o teu optimismo! Como a minha produção poética é automática, só a tua leitura me levou a analisar o poema, como se não tivessem sido escrito pelos meus dedos. Só tu me deste a ver o que dizes «bem visto».
Obrigada pela visita a este meu espaço, e pelo comentário, cuja luz me fez abrir os olhos e ver o nunca visto. Sim, Fernando! Parece incrível! Eu própria não entendo a complexidade, dita anormal, da minha mente. O meu psicanalísta disse-me que eu estava numa situação trágica. Não! Fernando! Nenhuma comiseração! É o sentimento menos nobre. De ti, desejo, apenas, o calor de uma amizade. Atribulada, é certo. Culpa minha, mas do domínio do inconsciente, em cujas trevas não consegui penetrar.
Nem imaginas o que este comentário conseguiu… Obrigada!
Comentado por Violeta Teixeira em 14/05 às 03:17 AM
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Eu concordo com os que advogam que a poesia não se comenta, ouve-se, lê-se, degusta-se as palavras. Em todo o caso, gostei da metáfora “Vertigens incrivelmente brancas
Eriçam-lhe as crinas de uma
Demência indomável”. Sim o nosso interior, no sentido da mente visto como um cavalo selvagem, arisco à domabilidade. Está bem visto Violeta.
Fernando
Comentado por em 13/05 às 07:31 PM